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DÁ PRA SER FELIZ SEM SER PERFEITA

 

MASCARAS

Já trilhei tantos caminhos desde a primeira vez em que parei pra me olhar e escolhi me conhecer, que as vezes não sei o que é importante compartilhar com vocês.

Há dentro de mim uma necessidade tão grande de transbordamento. E transbordar não significa colocar pra fora conhecimento e sabedoria – longe disso. Significa, pra mim, dividir dúvidas, questionamentos, frustrações, medos. Tudo isso sou eu,  tudo isso faz parte do caminho que me leva até quem sou.

Essa é uma das coisas que aprendi: eu não sou só a moça carismática, espiritualizada, forte, corajosa, tranquila, inteligente, gente boa, otimista, resolutiva, proativa, a mãe dedicada, a mulher parceira, a filha atenciosa.

Eu sou também aquela que tem medo do desconhecido, que, apesar de saber que a vida acontece no aqui e no agora, vive de memórias e da ansiedade pelo que ainda vem. Sou a que se sente incapaz diante de muitos desafios e que tem muita preguiça de fazer o que sabe ser necessário. Sou a criança ferida que ainda pede por amor, por reconhecimento, sou a que culpa o outro pelos seus fracassos. Sou a que tem medo de criticas, medo de errar. Sou a perfeccionista, a autoritária, a controladora e a possessiva.

Integrar aquela que corresponde à minha imagem de perfeição com aquela que tento esconder de todos é O DESAFIO da minha vida.

Este é um processo natural do ser humano. Jogar pro inconsciente aquilo que considera inadequado, feio, inaceitável. Desde muito cedo aprendemos como devemos nos comportar para sermos amados, aceitos, valorizados. Criamos um “ser ideal e perfeito” na nossa mente e passamos a vida tentando nos encaixar nele.

Mas e aquilo que sentimos e que não aceitamos? Vai pra onde? Deixa de existir? Aquilo que não aceitamos ainda está em nós e muitas vezes é o que guia nossas escolhas e nossas vidas de uma forma não consciente.

Eu sempre reprimi a raiva. Cresci num ambiente onde ser “boazinha” era muito valorizado. Pessoas boas e cristãs não tem raiva, ira, ódio – esses sentimentos eram considerados inferiores, assim como a alegria, a vaidade, o prazer eram considerados fúteis.

E é assim, de acordo com o que ouvimos e como somos tratados na nossa infância, que criamos nosso sistema de crenças, que definimos o que podemos mostrar pro mundo e o que é preciso esconder. Criamos uma máscara social – a imagem que queremos que os outros tenham de nós.

O grande problema é que a gente também começa a acreditar nessa máscara. E aprende a conviver com um sentimento de incompletude que não tem explicação. É como se pensássemos assim: eu não sou tão boa como as pessoas acham, se eles me conhecessem de verdade, saberiam que não sou digna de admiração, de amor.

Eu senti muito isso… até entender que tudo SOU EU e que preciso integrar luz e sombra pra me sentir completa. Que preciso me permitir sentir raiva, ódio e seja lá que surgir. Eu não preciso reagir agressivamente às situações – basta sentir, reconhecer, acolher.

Se a raiva chega, eu me permito sentir, dou vazão da forma possível (quebrar pratos ou esmurrar almofadas ajudam muito). Tomo consciência do sentimento, apaziguo meu seu: está tudo bem, não sou menor por me sentir assim.

Integrar – este é verbo. Deixar fazer parte. Reconhecer a existência.

E é enquanto vivo este processo que volto a escrever, a compartilhar, a transbordar o que sou. Com consciência de que não sou perfeita, não sou melhor ou pior do que ninguém, mas sou feita de contradições, de aspectos negativos e positivos, de força e fragilidade, de amor e medo.

Meu novo lema é ANTES FEITO DO QUE PERFEITO e por isso abri mão de esperar meus escritos estarem incorrigíveis antes de publicar. Eu quero é que a mensagem chegue até vocês, que vocês compreendam o que eu estou sentindo agora. Não precisa estar impecável.

Vou adorar receber um feed back, saber como essas palavras te tocaram, se o que percebo em mim faz sentido para você.

Com amor,

Marilia Lopes

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