UMA FLOR E MUITO AMOR

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Essa flor linda, amarilis, foi um presente de aniversário.

Um presente de alguém muito especial. Alguém que, ao longo dos anos, vem aprendendo a me olhar, a me aceitar, a me amar.

Quem me deu essa flor escolheu conviver com a minha luz e com a minha sombra, com minhas calmarias e com minhas tempestades, com minha força e com minhas vulnerabilidades;

Quem me deu essa flor me questiona, me enfrenta, me faz encarar crenças, padrões, condicionamentos;

Quem me deu essa flor me ama sem condições, me apoia nas minhas loucuras, me ampara nos meus desalentos e é a presença mais lúcida e mais carinhosa nas minhas crises de existência;

Quem me deu essa flor mergulha constantemente num mar de emoções e sentimentos conhecido por Marilia, observa pensamentos e atitudes, testa limites, extrapola barreiras;

Quem me deu essa flor é a presença amorosa da mãe que acolhe e o pulso firme do pai que detém;

Quem me deu essa flor me guia pelos caminhos do amor próprio, do autocuidado e da autorresponsabilidade;

Quem me deu essa flor é o estímulo para viver intensamente cada momento, é a lembrança de agradecer pelo que a vida traz, é o contentamento e a alegria;

Quem meu deu essa flor me ensina que felicidade é uma escolha,  que estar aqui, compartilhando desse projeto chamado vida, é uma dádiva divina e que se amar não é egoísmo, é necessidade.

Quem me deu essa flor fui EU.

Já faz algum tempo que me tornei a pessoa mais importante da minha vida e que tenho experimentado me amar antes de amar o outro, me cuidar antes de cuidar do outro, buscar em mim o que eu preciso para transformar as minhas relações e a minha forma de estar no mundo.

Quando meu olhar se voltou para mim, eu entendi o significado das palavras de Jesus: “ama o teu próximo COMO a si mesmo”.

Não há possibilidades de amar o outro sem se amar, de valorizar o outro sem se valorizar, de transformar o outro sem se transformar. Tudo começa dentro, tudo começa em nós.

A amarilis foi o presente que eu me ofereci para celebrar mais um ano e ela representa a beleza de uma história de amor que não tem fim.

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA? | YAMAS

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Você se lembra que no texto da semana passada, eu falei que Yoga é um sistema óctuplo? Se não leu ou quiser reler, clique aqui.

Então, hoje vamos falar da sua primeira parte, os Yamas, as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual.

Yoga é uma forma de estar no mundo, uma forma de viver. Não é religião, apesar de também significar “religação”, “união”. Poderíamos dizer que Yoga é uma filosofia de vida, um caminho para a integração de corpo, mente e espírito.

Dentro dessa filosofia, os yamas representam a conduta ética no relacionamento exterior e significam controle ou domínio. É o pontapé inicial daqueles que almejam se tornar um yogini, um praticante. Os yamas trazem cinco proscrições éticas:

  1. Ahinsa – a não violência
  2. Satya – não mentir
  3. Asteya – não se apropriar das coisas alheias
  4. Brahmacharya– não desvirtuar a sexualidade
  5. Aparigraha– não apegar-se

 

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Yamas = ética no relacionamento com o mundo

O praticante, observando e praticando em sua vida esses valores, estará contribuindo para o desenvolvimento da generosidade e do respeito do si mesmo e por todos os seres.

Se você quer se aprofundar na Yoga, é importante ter em mente que existimos em vários níveis. Existimos e nos manifestamos no Universo através de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, dos nossos sentidos e do nosso corpo físico.

Enquanto existimos, convivemos e estamos o tempo todo trocando energia com outras pessoas, com os ambientes que frequentamos, com a natureza. Recebemos a energia de tudo com o que entramos em contato e devolvemos essa energia de alguma forma, através do que somos. E somos o que fazemos, o que dizemos, o que sentimos e o que pensamos.

Daí surge a necessidade de que, antes de caminhar rumo à meta do Yoga, que é o estado de iluminação exaltado pelo samadhi, façamos um bom estágio na fase preliminar. Quando exercitamos a ética da Yoga, através dos yamas, controlamos amorosamente a nossa forma de estar no mundo e cuidamos da energia que emanamos.

Ghandi dizia que as mudanças que queremos no mundo, devem começar com a gente. Alterar a nossa forma de conviver, de nos relacionar, é uma boa forma de iniciar essas mudanças.

Na próxima semana, falaremos sobre cada um dos Yamas.

Com amor,

Marília Lopes

CASADA E FELIZ, POR QUE NÃO?

 

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Sou casada há 21 anos. O “status” casada não faz de mim uma mulher submissa, frustrada ou infeliz. Muito pelo contrário.

Não fui criada para ser princesa. Não brinquei só de boneca ou de casinha na minha infância. Convivi com três irmãos que, apesar de mais novos, me ensinaram muito sobre o universo masculino. Vivia brincando na rua de pé no chão e usava cabelo joãozinho – com sete filhos, praticidade era a palavra de ordem da minha casa.

Eu fui criada para ser uma pessoa digna, pra respeitar o próximo, não fazer pro outro o que não quero que façam pra mim, para correr atrás dos meus sonhos, pra resolver meus problemas sozinha,  dar conta de mim. Sempre fui estimulada a ser independente. O ambiente em que cresci somado à minha personalidade fez de mim a mulher que eu sou.

Comecei a trabalhar quando tinha 13 anos para ajudar nas despesas da minha família, que eram enormes. Nunca fiquei sentada esperando a sorte chegar. Corri atrás do que eu queria desde muito cedo.

E o fato de ser uma mulher forte, autoresponsável, proativa não me impediu de casar e ser feliz assim, dividindo a minha vida com alguém.

Não vivo para limpar a casa, lavar pratos ou dedicar 100% do meu tempo aos meus filhos. Mas adoro cozinhar e ter minha família reunida em volta da mesa. Gosto da minha casa limpa e não vejo nenhum problema e dar uma boa faxina quando necessário. Não faço isso sempre, tenho o privilégio de ter alguém pra me ajudar, mas sei fazer e não me sinto diminuída por isso.

Ser casada não define quem eu sou

Ser casada não faz de mim uma mulher chata, que vive em função do marido, não me faz esperar que ele a abra porta do carro ou puxe a cadeira, apesar de não ver nenhum problema nessas gentilezas.

Sei pregar botão e sei indicar costureiras incríveis. Sei fazer o melhor almoço de domingo e posso dividir a conta do restaurante impecável.

Aprendi  muito cedo a cuidar do espaço que ocupo. Sei cuidar de mim, da minha casa. Gosto de cuidar da minha família e de ser cuidada por eles.  Mas meu repertório não se resume a marido, filhos e casa. Sei falar de política, arte, filosofia, vinhos e viagens.

Nunca sonhei com anel ou vestido branco e não espero presentes do meu marido (na verdade já faz tempo que não espero nada de ninguém), mas não me importo nem um pouco em ser presenteada, lembrada, reconhecida e amada.

Não fui criada para casar. Fui criada para ser feliz. Mas, casei. E isso não faz de mim uma mulher que se encaixa no conceito “bela, recatada e do lar”. Considero cruel esse estigma, criado pela indústria de entretenimento, que faz das mulheres casadas vilãs, chatas e frustradas e das solteiras e das amantes as mocinhas descoladas e gente boa.

Vamos combinar que cuidar ou não da casa, saber ou não cozinhar, sonhar ou não com o casamento dos contos de fada é completamente indiferente quando se trata de amor. Isso tem muito mais a ver com grana. A independência que isso tudo representa é a financeira, não a afetiva.

Essa conversa sobre como a mulher DEVE SER tornou-se muito cansativa.

Essa classificação de mulheres: casada, solteira, feminina, feminista está muito chata. O que importa se sou casada, solteira, se gosto de homens ou de mulheres, se me intitulo feminista ou não?

Vamos olhar além disso tudo, vamos pensar fora da caixinha, vamos abrir mão dos rótulos?

Sou mulher. Faço minhas escolhas e respondo por elas. Ponto final.

E você, é feliz com as escolhas que fez?

Com amor,

Marília Lopes

EU VEJO VOCÊ

Tibet's exiled spiritual leader the Dalai Lama greets the audience as he arrives at a talk titled "Beyond Religion: Ethics, Values and Wellbeing" in Boston, Massachusetts October 14, 2012. REUTERS/Jessica Rinaldi (UNITED STATES - Tags: RELIGION SOCIETY) - RTR3956W

Conta-se que certa vez perguntaram a sua santidade o Dalai-Lama como ele conseguia se comunicar da mesma forma com interlocutores de diferentes posições sociais. E ele respondeu: quando estou diante de alguém, seja quem for, sempre penso que sou apenas um ser humano falando com outro ser humano.

Parece simples. Somos todos seres humanos, temos a mesma estrutura física, biológica, mental e emocional mas, apesar disso, nos sentimos tão diferentes. Às vezes melhores, às vezes piores, mas raramente iguais.

Se, como o Dalai-Lama, nós pudéssemos olhar com o coração, sentiríamos essa igualdade, mas fomos treinados a olhar o mundo com a mente. E a mente julga o tempo todo, critica, classifica. É o nosso modo automático de viver.

Enxergamos o status social, a orientação sexual, a opção religiosa, a cor da pele, a ideologia política, o estilo do cabelo ou da roupa. Paramos nosso olhar na superfície do outro, na sua imagem.

Se damos ênfase a características específicas de cada um, ficamos congelados nas diferenças, mas se conseguimos ir além, fatalmente nos encontramos com a humanidade de cada ser. Nos reconhecemos no outro.

Afinal, nós compartilhamos muito mais que o mesmo planeta, nós dividimos as mesmas emoções, os mesmos desejos e, quiçá, as mesmas histórias. Na essência, SOMOS TODOS IGUAIS.

E eu acredito que se dedicar a enxergar o que nos assemelha é o melhor caminho para estabelecer diálogos, resolver conflitos e construir relações mais saudáveis.

Quem assistiu o filme Avatar lembra que os Na’vi, povo nativo de Pandora, ao invés de dizer “eu te amo” dizia “eu vejo você”. Ver o outro é reconhecê-lo como semelhante, é ir além da superfície, é mergulhar no SER. É amar.

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Quando reconhecemos o outro como igual, quando lembramos que TODOS NÓS somos movidos por emoções, memórias, crenças e padrões, fica mais fácil entender e respeitar as singularidades de cada um. Reconhecer o outro é lhe dar o direito de ser diferente.

Eu vejo você. Eu vejo tudo que há em comum entre nós. Eu vejo nossas diferenças. Eu vejo o que te move. Eu vejo a sua dor. Eu vejo o seus potenciais. Eu vejo você e aceito tudo o que eu vejo, mesmo aquilo que não me agrada, mesmo aquilo que não encaixa nos meus padrões. EU VEJO VOCÊ! 

Em tempos de tantas manifestações de ódio e intolerância, sugiro que essa frase torne-se nosso mantra. Vamos repeti-la sempre que surgir pensamentos que julgam, que criticam, que classificam e que pré conceituam o outro.

Vamos, como o Dalai-Lama, VER O SER HUMANO que existe em cada um. Não só naqueles que a gente ama, admira, mas, principalmente, naqueles que despertam em nós os piores sentimentos. Vamos nos lembrar que as motivações do outro nascem no mesmo lugar em que nascem as nossas motivações.

Sinta essa frase. Repita quantas vezes for necessário. Olhe pra qualquer pessoa e repita, mesmo que internamente, EU VEJO VOCÊ. Viva o poder que existe nessas palavras.

EU VEJO VOCÊ! EU VEJO VOCÊ! EU VEJO VOCÊ!

Com amor,

Marilia Lopes

 

 

*Imagens Google