SOBRE FEMINISMO E FEMININO

 

feminismo

Vivemos em tempos de rótulos, muitos rótulos. E dentro desse universo que dá nome a tudo, sou feminista. Sou feminista porque acredito na importância de TODOS terem os mesmos direitos, independente do gênero (e da raça, da orientação sexual, da crença religiosa).

Não considero mulheres superiores aos homens – isso é femismo. Não considero mulheres iguais aos homens – isso seria negar nossas singularidades biológicas, físicas e emocionais. Mas sinto a necessidade de vivermos em harmonia num ambiente onde, respeitadas as diferenças, todos tenham as mesmas possibilidades.

Já critiquei o movimento feminista por não ter conhecimento do que realmente se tratava. Infelizmente, existem mulheres que, sob a bandeira do feminismo, pregam o ódio aos homens, são extremistas e distorcem o conceito base do movimento que é a igualdade entre os gêneros.

Não podemos ignorar que, nas últimas décadas, o feminismo criou um o espaço super importante para que pudéssemos repensar nossa condição e falar sobre isso. Valorizo muito tudo o que foi conquistado desde Simone de Beauvoir até Jout Jout.

Preciso abrir um parêntese aqui, para você que não faz ideia de quem sejam essas mulheres:

Simone de Beauvoir, filósofa francesa, publicou em 1949, O Segundo Sexo, primeiro grande e detalhado ensaio sobre a condição da mulher. Apesar de Simone não ser feminista à época, o livro se tornou o mais importante trabalho de reflexão filosófica e sociológica sobre a mulher e ajudou a traçar os caminhos do feminismo a partir de então. O livro é uma análise sobre a hierarquia dos sexos e a opressão da mulher em termos biológicos, históricos, sociais e políticos.

Jout Jout é Julia Tolezano, jornalista brasileira de Niteroi/RJ, 23 anos, criadora do canal do youtube Jout Jout, Prazer. Um dos seus vídeos, NÃO TIRA O BATOM VERMELHO, atingiu 300 mil views no ano passado. No vídeo, Jout Jout fala sobre como identificar relacionamentos abusivos.

Mas, de qualquer forma, é necessário tomar cuidado com os estereótipos e as generalizações. Entendo que num contexto histórico e social,o homem é opressor e nós, mulheres, oprimidas.  Fazemos parte de uma sociedade patriarcal que enaltece o masculino e desvaloriza o feminino e eu já presenciei e vivi situações que demonstram essa desigualdade.

Sabemos que muitas mulheres sofreram, e ainda sofrem, todo tipo de abuso em virtude do machismo. Sabemos que o machismo está profundamente enraizado na nossa sociedade e que ainda há um caminho (que espero, seja curto) a ser percorrido para alterar essa realidade.

Mas eu ainda me incomodo com o discurso que desqualifica e culpabiliza o homem ou a mulher, de forma generalizada e automática, sem levar em consideração as peculiaridades de cada situação.  Homens são capazes de atrocidades. Mulheres são capazes de atrocidades. Homens são capazes de gestos nobres. Mulheres são capazes de gestos nobres. Não é o gênero que determina quem somos, mas nossa consciência.

E quando falamos de consciência, é importante lembrar que somos constituídos de energia. E que dentro de todos nós, homens e mulheres, há energia masculina e energia feminina. E que o equilíbrio entre essas energias é muito importante para a nossa saúde emocional.

Quando em desequilíbrio, esses princípios (masculino e feminino) se distorcem.

A energia feminina distorcida transforma a capacidade de receber, acolher, nutrir, intuir, entender,  em vitimismo, submissão, passividade. A energia masculina distorcida transforma a capacidade de ação em agressividade, em violência.

yin

Yin e Yang são conceitos do taoismo que representam a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, noite, lua, absorção, intuição. O yang é o princípio masculino, sol, dia, a luz e atividade.

Num mundo ideal, haveria equilíbrio entre as energias masculina/feminina. Num mundo ideal, os homens não se sentiriam protegidos e fortalecidos por um sistema que pisoteia o poder feminino. Num mundo ideal haveria amor e respeito de todas as formas.

Mas, no nosso mundo real, percebemos a carência da energia feminina, assistimos ao embrutecimento das relações humanas, baseadas essencialmente em características masculinas: a força, a disputa, a autoridade. Sentimos falta de colo, de acolhimento, de entendimento.

O papel da mulher na sociedade é alvo de atenção já há muito tempo. Mas, ainda hoje, há a crença de que as mulheres devem priorizar sua energia masculina para ascender profissionalmente, para enfrentar o mercado, para lutar pelos seus direitos. Acredita-se que ser feminina é ser frágil, vulnerável, meiga, doce e, consequentemente, sem perfil para certas profissões ou cargos.

Por tudo isso, a mulher foi abrindo mão da sua energia feminina para se equiparar ao homem.

Estamos sentindo as conseqüências desse processo. O mundo está carente da alma feminina, da energia feminina, do princípio feminino.

Todo esse desequilíbrio que vemos fora, reflete o que existe dentro de nós. A negação do feminino nos homens e nas mulheres.

E o que podemos fazer?

Começamos mudando aquilo que está ao nosso alcance: nós mesmas. Iniciamos o resgate do feminino em nós, do nosso poder de receber, acolher, gerar, nutrir e usar da nossa intuição.

Como?

Um caminho é fortalecer as relações entre nós, mulheres. Compartilhar nossas dores, nossos medos, nossa vida. Relembrar que um dia vivemos numa sociedade matriarcal, que valorizou nossos saberes, nosso corpo, nossa capacidade de curar a nós mesmas e aos outros.

É fácil?

Não! Mas é possível. E precisamos começar. É isso que eu procuro fazer quando escrevo. Geralmente, a criatividade nos conecta com a energia feminina – a arte, o artesanato, a dança, a música, a culinária. E o silêncio, a contemplação, o contato com a natureza. Não existe fórmula, procure por aquilo que te traga alegria, contentamento, gratidão. Ouça o seu coração e você saberá que está no caminho, sua alma será alimentada e te guiará.

Eu te convido a tentar.

E te convido a compartilhar suas experiências com o feminismo e com o feminino aqui. Conte pra nós como você se sente em relação a tudo isso.

Com amor,

Marília Lopes

P.S: se você, como eu, também não entende bem os termos utilizados pelo movimento feminista, dê uma olhada nesse quadro. Achei bem explicadinho:

captura-de-tela-2015-03-19-as-18-48-09