TODA NOITE TERÁ FIM

aparecida

Há dois anos fiz uma peregrinação até o santuário de Aparecida. Caminhei 170 km durante 4 dias. Foi uma das experiências mais significativas que vivi.

Andando ao encontro da Mãe Divina, eu aprendi que o caminho é mais importante que o destino e que pra chegar é preciso dar um passo de cada vez.

Numa peregrinação, a gente entende que a força da vontade é imensamente maior que a força do corpo. E que superação significa fazer a mente acreditar que somos capazes.

Eu me lembro da primeira noite de caminhada, do vento frio de julho cortando o rosto e do chão liso sob os pés por causa da chuva que tinha caído durante a semana toda.

E me lembro da escuridão. Atravessamos a noite escura confiando no que nossas lanternas nos mostravam – um pequeno pedaço daquela estrada desconhecida que iríamos percorrer.

Naquela noite aprendemos sobre confiança e fé.

Aprendemos a acreditar que existe estrada mesmo quando a gente não consegue enxergá-la, a seguir em frente mesmo quando o medo do desconhecido tenta nos impedir, a confiar naquele que nos guia e, sobretudo, a ter certeza de que o dia vai chegar… não há noite que dure pra sempre.

Foram dias transformadores.

Hoje vivo uma situação em que todo esse aprendizado é fundamental.

No dia 24 de junho sofri uma queda e fraturei braço e tornozelo. A fratura do tornozelo foi exposta e me rendeu três procedimentos cirúrgicos, uma placa, alguns pinos e uma parada forçada que já completou dois meses e não tem previsão de terminar.

O médico que fez as cirurgias, e que hoje é presença constante na minha vida, diz que o tempo é quem determinará o resultado de todo nosso esforço. Ele me prescreve antibióticos, fisioterapia e paciência.

Paciência para viver o processo de recuperação, para valorizar o caminho tanto quanto o destino, para me lembrar que não importa a distância, mas cada passo dado na direção correta.

Nos inevitáveis momentos de tristeza, medo, ansiedade e preocupação, volto pra estrada. Sinto de novo o poder da oração, revivo a alegria de cada trecho vencido e mais uma vez eu tomo consciência de que a força da minha vontade é muito maior do que a força do meu corpo.

Em peregrinação, busquei a mim mesma, busquei pela Mãe Divina. Agora, é tempo de pausa, de parar à beira do caminho e aprender a esperar, deixar que a Mãe traga até mim aquilo que precisa me encontrar.

Por enquanto, sigo acreditando que viver é caminhar à noite por uma estrada que não conhecemos, que nossa visão de mundo se limita ao que nossa lanterna nos mostra,  que confiar que somos guiados e protegidos é fundamental para atravessarmos com alegria todas as noites escuras da nossa história.

Sigo acreditando que tudo passa, que o sol nasce sempre…

Entrego. Confio. Aceito. Agradeço.

Com amor,

Marilia Lopes

VÍDEO: AS BENZEDEIRAS DE MINAS | Co.madre

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Fé. O documentário AS BENZEDEIRAS DE MINAS fala de fé. Fé na oração de mulheres simples, que rezam pedindo a Deus a cura de todos os males.

O  vídeo de 25 minutos faz parte do Co.madre, um acervo audiovisual sobre mulheres, que valoriza os conhecimentos, a memória, a ancestralidade, a identidade, o envolvimento comunitário e a cultura.

A construção desse acervo busca evidenciar a força das mulheres na história de seus povos, contribuindo para a redução de diversas formas de opressão, discriminação e preconceitos que atingem mulheres ibero-americanas.

Co.madre nasceu de uma parceria entre o Coletivo Etinerâncias, nove colaborador@s de países da Iberoamérica e mulheres da comunidade de San Basílio de Palenque, durante o III LabiCco – Laboratório Ibero-Americano de Inovação Cidadã, em Cartagena (Colômbia), de 9 a 23 de outubro de 2016.

Eu cresci acreditando na força da oração, no poder das palavras e das intenções. Na minha família, o benzimento é tradição. Benzia-se contra quebranto, benzia-se criança desconfiada, cortava-se o medo de andar.

O documentário me lembrou das muitas benzedeiras que já visitei. Senti o cheiro da arruda, o gosto da cinza na água, o sopro das orações sussurradas e o medo das mãos enrugadas a desenhar o sinal da cruz.

Vale a pena assistir este e os outros documentários disponíveis na plataforma.

E você, já se benzeu? Já recorreu a alguma benzedeira? Compartilhe sua experiência conosco aí nos comentários, ou simplesmente cite o nome das mulheres rezadeiras, curandeiras que você conhece.

Com amor,

Marilia Lopes