NÓS PODEMOS SER LIVRES

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Durante a nossa vida toda, desde o nosso nascimento, ou até mesmo da nossa concepção, somos bombardeadas com uma série de expectativas sobre o que seremos, conquistaremos, nos tornaremos.

Essas expectativas giram em torno de sermos bem sucedidas, bem vestidas, bem casadas, sobre conquistas materiais, ou até mesmo sobre sermos felizes e realizadas. As pessoas que mais nos amam esperam que sejamos contentes e satisfeitas com a vida que levamos. Mas sabemos que nem sempre é assim que as coisas acontecem.

A sociedade o tempo todo nos dita regras, fala o que é o correto e aceitável. Somos educadas e condicionadas a acreditar que a vida deve ser seguida dentro de um padrão, com o qual nem sempre nos identificamos mas, em tese, temos que seguir cegamente. Não são dadas as opções, as escolhas não são feitas conscientemente, e vamos todos seguindo o fluxo sem sequer questionarmos sobre o motivo de tudo ser dessa forma.

Nunca me disseram que eu tinha a possibilidade de ser cis ou trans, que eu podia ficar com meninos e também com meninas, que sororidade devia ser praticada, que uma mulher não pode ser rotulada pela quantidade de pessoas com quem ela transa em uma noite, que o machismo destrói mulheres física e psicologicamente, que um núcleo familiar pode ser formado de diversas formas, não somente de um homem e uma mulher com seus filhos.

A vida não vem com manual de instruções. A gente vai vivendo, desconstruindo conceitos e escolhendo a forma que serve pra gente. Não é fácil ser mulher e ser completamente satisfeita com o corpo quando a mídia, em geral, está o tempo todo ditando padrões a serem seguidos. A gente tem que aprender até a se amar. Tem coisa mais básica que isso?

Chegamos nesse mundo e vamos sendo moldadas, acredito que nosso objetivo seja sair desse molde imposto. É entender que como seres livres a gente pode levar a vida da forma que nos for conveniente, desde que não afete a liberdade das outras pessoas. Não existe certo e errado dentro desse limite, você pode ser tudo.

Não tem motivo pra se sentir frustrada por não corresponder às expectativas de quem quer que seja, não é pra satisfazer expectativas que estamos aqui. Não precisamos ser felizes, legais e divertidas o tempo todo, não precisamos ter sucesso e fama, não precisamos casar e ter filhos. A gente não tem que nada, mas a gente pode tudo.

Podemos fazer nossas escolhas e ser responsáveis por elas sem nos sentirmos culpadas. Acredito que quanto mais nos conhecemos mais fácil se torna saber com clareza o que é que a gente quer da nossa vida, e parar de seguir o socialmente determinado. Quando a gente sabe que tá levando a vida da forma que a gente escolheu tudo fica mais leve e fácil. O fardo de corresponder a diversas expectativas é pesado demais pra se carregar.

O autoconhecimento é essencial para que esse processo seja possível, entramos em contato com nós mesmas e daí surge uma quantidade de possibilidades que não imaginávamos existir. Aprendemos a nos amar numa quantidade que esse amor transborda pro próximo, nos sentimos inteiras. Passamos a conviver com mulheres incríveis e ver elas como parte de nós, não nossas adversárias.

A gente vai se conhecendo, e conhecendo o próximo, e esse contato não acaba mais. A sororidade surge naturalmente, as escolhas não são mais tão difíceis, a insegurança dá lugar a confiança e esse processo só tende a se expandir, e se tornar natural e fluido. Imagina só todos os seres completamente livres…

Carolina Sáber