AHIMSA, A NÃO VIOLÊNCIA

 

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Ahimsa (pronuncia-se arrimssa) é um dos yamas, o primeiro passo da Yoga, como escrevi aqui na semana passada. A palavra sânscrita significa não violência e é a base do sistema ético proposto pelo filósofo Patanjali.

Quando falamos em não violência podemos pensar em passividade e naqueles sapos enormes que engolimos a seco para manter a paz e evitar o conflito.

Não se trata disso, absolutamente. Passividade é a incapacidade de assumir as próprias escolhas, de se posicionar diante da vida. Não violência é a capacidade de não ferir, não causar dano, não provocar sofrimento .

Quando assumimos a não violência, abrimos mão da guerra pessoal, das disputas de poder, aprendemos a nos relacionar a partir do amor.

VIOLÊNCIA X AGRESSIVIDADE

A agressividade faz parte do ser humano. Há em todos nós um dispositivo de agressividade. Historicamente falando, utilizamos muito esse dispositivo na busca de alimentos e na proteção para não nos tornarmos alimento.

Agressividade tem a ver com ação. Ela nos impulsiona a caminhar, a ir ao encontro, em direção ao que queremos. É, de certa forma, necessária para a evolução da nossa espécie.

Violência tem a ver com reação e, geralmente, está relacionada com fatores externos, a fatos passados (e reprimidos) ou presentes.

Violência = violar o direito do outro.

Quando vivemos a não violência assumimos compromisso de não gerar sofrimento a qualquer ser vivo, inclusive nós mesmos.

Uma boa forma de manifestar a não violência no nosso dia-a-dia é através da comunicação assertiva.

ASSERTIVIDADE

A assertividade é o ponto intermediário entre dois comportamentos opostos: a agressividade e a passividade.

A pessoa assertiva não ofende nem desrespeita, mas também não se submete à vontade de outras pessoas; em contrapartida, exprime as suas convicções e defende os seus direitos.

A assertividade supõe expressões conscientes, diretas, claras e equilibradas, com o objetivo de comunicar as nossas ideias e os nossos sentimentos ou defender os nossos legítimos direitos sem a intenção de ofender. Por isso, quem age com base na assertividade, faz com autoconfiança e não com emoções relacionadas a ansiedade ou a raiva, por exemplo.

Ser assertivo é saber dizer SIM quando quer dizer sim e, principalmente, dizer NÃO quando quer dizer não. É manifestar a sua verdade sem agredir o outro, sem VIOLAR o direito que o outro tem de ser o que quiser ser.

A mim cabe afirmar o que eu sinto, quais são as minhas intenções – isso é assertividade. Quando emito julgamento sobre a postura do outro estou exercendo agressividade, violência.

Ahimsa, a não violência, pode se manifestar através da nossa fala, dos nossos pensamentos, das nossas intenções e das nossas ações.

Mahatma Gandhi é a grande personificação de ahimsa. Ele dedicou sua vida a não violência e à verdade e conseguiu a libertação da Índia do poderio inglês sem a utilização de armas ou qualquer ação violenta. Todo o movimento de independência do país aconteceu a partir da não-cooperação e da desobediência civil com greves, atos públicos e marchas persistentes de repúdio à lei do colonizador.

Profile view of Indian political and religious leader and pacificist Mohandas Gandhi (1869 - 1948) as he gestures during a speech, mid 1940s. (Photo by FPG/Getty images)

E você, como tenta praticar esse yama? Quais são seus maiores desafios para viver ahimsa?

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA? | YAMAS

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Você se lembra que no texto da semana passada, eu falei que Yoga é um sistema óctuplo? Se não leu ou quiser reler, clique aqui.

Então, hoje vamos falar da sua primeira parte, os Yamas, as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual.

Yoga é uma forma de estar no mundo, uma forma de viver. Não é religião, apesar de também significar “religação”, “união”. Poderíamos dizer que Yoga é uma filosofia de vida, um caminho para a integração de corpo, mente e espírito.

Dentro dessa filosofia, os yamas representam a conduta ética no relacionamento exterior e significam controle ou domínio. É o pontapé inicial daqueles que almejam se tornar um yogini, um praticante. Os yamas trazem cinco proscrições éticas:

  1. Ahinsa – a não violência
  2. Satya – não mentir
  3. Asteya – não se apropriar das coisas alheias
  4. Brahmacharya– não desvirtuar a sexualidade
  5. Aparigraha– não apegar-se

 

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Yamas = ética no relacionamento com o mundo

O praticante, observando e praticando em sua vida esses valores, estará contribuindo para o desenvolvimento da generosidade e do respeito do si mesmo e por todos os seres.

Se você quer se aprofundar na Yoga, é importante ter em mente que existimos em vários níveis. Existimos e nos manifestamos no Universo através de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, dos nossos sentidos e do nosso corpo físico.

Enquanto existimos, convivemos e estamos o tempo todo trocando energia com outras pessoas, com os ambientes que frequentamos, com a natureza. Recebemos a energia de tudo com o que entramos em contato e devolvemos essa energia de alguma forma, através do que somos. E somos o que fazemos, o que dizemos, o que sentimos e o que pensamos.

Daí surge a necessidade de que, antes de caminhar rumo à meta do Yoga, que é o estado de iluminação exaltado pelo samadhi, façamos um bom estágio na fase preliminar. Quando exercitamos a ética da Yoga, através dos yamas, controlamos amorosamente a nossa forma de estar no mundo e cuidamos da energia que emanamos.

Ghandi dizia que as mudanças que queremos no mundo, devem começar com a gente. Alterar a nossa forma de conviver, de nos relacionar, é uma boa forma de iniciar essas mudanças.

Na próxima semana, falaremos sobre cada um dos Yamas.

Com amor,

Marília Lopes