VÍDEO: AS BENZEDEIRAS DE MINAS | Co.madre

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Fé. O documentário AS BENZEDEIRAS DE MINAS fala de fé. Fé na oração de mulheres simples, que rezam pedindo a Deus a cura de todos os males.

O  vídeo de 25 minutos faz parte do Co.madre, um acervo audiovisual sobre mulheres, que valoriza os conhecimentos, a memória, a ancestralidade, a identidade, o envolvimento comunitário e a cultura.

A construção desse acervo busca evidenciar a força das mulheres na história de seus povos, contribuindo para a redução de diversas formas de opressão, discriminação e preconceitos que atingem mulheres ibero-americanas.

Co.madre nasceu de uma parceria entre o Coletivo Etinerâncias, nove colaborador@s de países da Iberoamérica e mulheres da comunidade de San Basílio de Palenque, durante o III LabiCco – Laboratório Ibero-Americano de Inovação Cidadã, em Cartagena (Colômbia), de 9 a 23 de outubro de 2016.

Eu cresci acreditando na força da oração, no poder das palavras e das intenções. Na minha família, o benzimento é tradição. Benzia-se contra quebranto, benzia-se criança desconfiada, cortava-se o medo de andar.

O documentário me lembrou das muitas benzedeiras que já visitei. Senti o cheiro da arruda, o gosto da cinza na água, o sopro das orações sussurradas e o medo das mãos enrugadas a desenhar o sinal da cruz.

Vale a pena assistir este e os outros documentários disponíveis na plataforma.

E você, já se benzeu? Já recorreu a alguma benzedeira? Compartilhe sua experiência conosco aí nos comentários, ou simplesmente cite o nome das mulheres rezadeiras, curandeiras que você conhece.

Com amor,

Marilia Lopes

 

 

O PRECONCEITO NOSSO DE CADA DIA

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Onde você guarda o seu preconceito?

O meu fica bem escondidinho e aparece quando eu menos espero. E ele mostrou suas garras quando ouvi rap pela primeira vez. Julguei, menosprezei e errei feio.

Meu universo musical sempre foi restrito e básico. Não tenho lembranças de músicas na minha infância. O ruído da casa dos meus pais sempre foi o da TV, ligada o dia todo.

O rock, principalmente nacional, foi a trilha sonora da minha adolescência vivida nos anos 80.

Já estava na faculdade quando comprei meus primeiros LP´s. Foi nessa época que aprendi a ouvir os tropicalistas e me apaixonei pelo Chico.

Meu marido exerceu grande influência na minha formação musical. Foi ele quem me apresentou quase tudo que gosto hoje.

Na nossa casa sempre tem música e é assim desde que nos casamos, há 21 anos.

Foi nesse contexto que o João Victor -nosso filhote – nos apresentou o rap.

De cara eu não gostei. Recusei. Critiquei.

A batida me parecia agressiva demais e o preconceito era a voz mais alta nos meus ouvidos.

Mas fui vencida e convencida a baixar a guarda, jogar fora as idéias pré-concebidas e me entregar ao som.

Eu dei a mão à palmatória e todo o meu respeito aos que dão voz às minorias e resistem ao status quo.  Gabriel, o pensador, Criolo e Fábio Brazza são alguns dos cantores que expressam em suas músicas o que eu gostaria de falar, de escrever.

Não é todo rap que eu aprecio, mas já quebrei aquela resistência inicial de nem ouvir o que diziam.

Confesso que ainda não é o som que eu coloco pra ouvir. Mas gosto quando está tocando, gosto das reflexões que desperta em mim, gosto de pensar que a poesia e a filosofia desses rappers alcançam meninos e meninas invisíveis aos nossos olhos.

Quando ouvi a música Hei João, de Fábio Brazza com participação do Arnaldo Antunes, pensei: ele está falando por mim, é uma manifestação do que eu considero verdade e do que tentei ensinar pras  minhas crias.

Rap. Mais um preconceito vencido!

Com amor,

Marilia Sáber

Aqui tem a letra e o clipe:

Hei João 

Hey joão
Vencer não quer dizer cifrão
Não ligue pros comerciais
Cuidado com a televisão, hey joão
Hey joão
Tão te vendendo ilusão
Nem sempre o que ganha é mais
Nem sempre o que é mais é bom

Quem foi que disse que isso é um jogo
Quem que disse hein joão?
Que você não é ninguém se for o vice campeão?
Como se não existisse comunhão
Como se tudo na vida resumisse
Então a uma mera disputa
E da fatia do pão quem desfruta, diz truta
Você acha isso certo então me desculpa
A sociedade diz quer ser feliz luta
Mas como, se eu não nasci com o talento do batistuta?
Também não sou filho de algum abílio diniz
Tampouco nasci pra ser uma meretriz, puta
Mesmo não tendo tudo aquilo que eu sempre quis
Como jadakiss mantenho minha raiz bruta
Perder ou vencer, não tem escapatória
A sociedade torna essa modalidade obrigatória
A disputa cria divisórias, contradições notórias
O luxo do burguês é a escassez da escória
Escolha, não existe no final da história
Competição é desleal e predatória
O esforço não define a posição não
João ninguém aqui nunca vai ser joão doria
Por isso eu não quero vitória
Enquanto a intenção final for o capital, a glória
Não, eu não quero vitória
Será que você não vê
Ostentação material é ilusória

Hey joão
Vencer não quer dizer cifrão
Não ligue pros comerciais
Cuidado com a televisão, hey joão
Hey joão
Tão te vendendo ilusão
Nem sempre o que ganha é mais
Nem sempre o que é mais é bom

(o senhor e a senhora
Já viveram a sua glória
Seu tempo acabou, agora
A escória faz história)

Qual a chance o menino que a sociedade sabota tem?
Insano e sem ensino bota na febem
É por isso que lota a febem
Ninguém quer investir em educação corrupção
Irmão e a gente vota em quem?
Ei você idiota que arrota nota de cem
Que estudou, é poliglota, fala bem
Quer reclamar da cota hein mas nota
Bem que chance remota tem
Do moleque passar do corte da nota do enem?
Quer salvar o mundo então vai adota um neném
Fica ligeiro parceiro dinheiro não brota do além
Sem chacota a ideia é outra
Rap nacional como snj
Sabota olha só o poder que a nossa frota tem
Quem é mais merecedor: o empresário ou o professor?
Quem define o salário do trabalhador?
Será que é o esforço mesmo o principal denominador
Ou a sociedade que impõe o valor, e te convence
Que aquele que trabalha vence
Ela quer que você ganhe? não, ao menos que pense
Que é capaz, pois pra ela trás vantagem
Trabalho e consumo joão
É o que sustenta a engrenagem

Hey joão
Vencer não quer dizer cifrão
Não ligue pros comerciais
Cuidado com a televisão, hey joão
Hey joão
Tão te vendendo ilusão
Nem sempre o que ganha é mais
Nem sempre o que é mais é bom