O TABU DA ANSIEDADE

Um texto da minha filha, Carolina Sáber, que está cada dia mais consciente da necessidade de se conhecer, de se observar e de como lidar com as emoções e com as sensações geradas constantemente em nós.

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Algo que me chama atenção nas pessoas com quem me relaciono e em mim mesma é o fato de não conhecermos ao certo o processo emoção – sentimento – pensamento que existe em nós e nos motiva a tomar atitudes o tempo todo. Já vi em vários filmes e séries encontros de narcóticos e alcoólicos em que as reuniões começam com uma apresentação padrão: “Oi, meu nome é X e eu sou alcóolatra.” E isso começou a fazer sentido pra mim quando entendi que essa frase curta e impactante é o reconhecimento de algo que você considera um problema e está disposto a tratar.

Quando falamos de ansiedade acredito que o caminho seja o mesmo, de identificação do sentimento, de perceber o que acontece no seu corpo quando você a sente e do motivo pelo qual isso é desencadeado. Para exemplificar do que eu estou falando quando uso a palavra “ansiedade” vou descrever algumas situações minhas e de pessoas que conheço para que saibamos que estamos tratando de conceitos semelhantes.

Falar de ansiedade, para mim, é falar de crises de choro e desespero por não conseguir fazer um trabalho da faculdade que seria possível concluir em uma hora em circunstâncias comuns, é falar de insônia, de acordar de madrugada com uma lista de afazeres passando repetidamente na cabeça, obrigações que qualquer pessoa resolveria de maneira tranquila, mas que gera um estresse gigante pra quem é ansioso, é falar ainda de tremor nas pernas e de suor nas mãos, é falar de planejar uma viagem com meses de antecedência e sofrer pelos detalhes.

Falar de ansiedade é falar também de ansiedade social. De pensar inúmeras vezes antes de expressar uma opinião e depois pensar mais várias se realmente falou aquilo da melhor maneira;  é falar sobre ficar nervosa antes de uma festa e pensar com quantas pessoas desconhecidas vai ser necessário conversar, é falar de mal estar, de embrulho no estômago e vontade de vomitar quando existe a possibilidade de falar em público; é pensar em desmarcar compromissos, é a vontade de não sair de casa para não ter que explicar para as pessoas o porquê de estar se sentindo assim. Ou seja, ser ansioso é se privar para não sofrer.

Cada indivíduo possui maneiras de expressar essa ansiedade que existe, de alguma forma, dentro de todos nós. Você pode se identificar com uma, alguma ou todas as condutas descritas acima, ou pode passar por outras situações completamente diferentes.  Mas fato é que ansiedade é um sentimento/emoção que surge antes da situação realmente acontecer. É um sofrimento antecipado e, portanto, desnecessário mas que deve ser olhado com carinho, amor e atenção.

Importante mencionar que na sociedade atual, com a quantidade de estímulos a que somos submetidos, o sem fim de tarefas das quais temos que dar conta, prazos e mais prazos, provas finais, trabalhos a serem entregues, e pra completar, uma cobrança social e individual que sejamos perfeitos, é natural que estejamos criando um mundo onde a ansiedade se prolifera.

A partir do momento que sabemos que a ansiedade existe e que isso é algo inerente ao ser humano, em maior ou menor grau, é mais fácil e menos dolorido lidar com essa emoção. Eu já senti ansiedade que doía, doía no meu corpo e naquele momento eu faria qualquer coisa para me livrar dela, e horas depois eu já estava bem e me sentia capaz de seguir minha vida, sem precisar esperar até que não existisse mais nenhum resquício em mim.

A identificação é tão necessária porque só assim é possível lidar com essa sensação  e não deixar que ela domine sua vida. Somente dessa maneira, a meu ver, é que podemos chegar ao ponto de nos policiar, e pensar: “opa, estou tendo estas atitudes por causa da ansiedade”. Tendo consciência que ela existe em nós, e não exclusivamente em mim ou em você, é que poderemos não colocar tanta importância nesse sentimento que é passageiro. Mas sim, olhá-lo como um visitante, que chega, faz uma bagunça, e vai embora. E posso falar com certeza: vai! Pode ser que fique algo pra ser arrumado, umas emoções para serem colocadas no lugar e questionamentos sobre o quão natural isso pode ser se causa tanto sofrimento.

Vale lembrar que o sofrimento faz parte da nossa experiência humana, que aceita-lo e deixa-lo partir naturalmente faz parte do fluxo da vida. Assim como a ansiedade! Se a olharmos, identificarmos aquilo que a gerou e conseguirmos esperar que ela passe já será uma conquista e tanto. Com isso vamos aprendendo que não é necessário esperarmos ela não mais existir para sermos felizes e realizados.

Nesse mundo onde impera a disputa, o aumento da produtividade, e que as pessoas são avaliadas mais pelo seu rendimento do que pela presença naquilo que fazem, falar de ansiedade se tornou sinônimo de falar de fraqueza e incompetência, mas isso não condiz com a realidade. Será que dar conta do recado é viver em desespero e angustiado, enchendo a agenda de compromissos, tentando atingir metas inalcançáveis e conseguindo, no máximo, uma gastrite nervosa, ou será que vai além disso?

Acredito que lidar com ansiedade seja um trabalho contínuo, diário, incessante e por vezes cansativo. É autoconhecimento, é olhar para você mesmo e entender seus processos, observar quais tipos de pensamentos são gatilhos para crises e aceitá-los, com amor e paciência, e transformá-los; é sair das crises de cabeça erguida e saber que você, sem dúvidas, dá conta do recado. Saber que você agora está mais forte e que uma emoção não vai ser capaz de te destruir se você aprender a lidar com ela. Vamos falar sobre ansiedade….

Carolina Sáber

 

AHIMSA, A NÃO VIOLÊNCIA

 

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Ahimsa (pronuncia-se arrimssa) é um dos yamas, o primeiro passo da Yoga, como escrevi aqui na semana passada. A palavra sânscrita significa não violência e é a base do sistema ético proposto pelo filósofo Patanjali.

Quando falamos em não violência podemos pensar em passividade e naqueles sapos enormes que engolimos a seco para manter a paz e evitar o conflito.

Não se trata disso, absolutamente. Passividade é a incapacidade de assumir as próprias escolhas, de se posicionar diante da vida. Não violência é a capacidade de não ferir, não causar dano, não provocar sofrimento .

Quando assumimos a não violência, abrimos mão da guerra pessoal, das disputas de poder, aprendemos a nos relacionar a partir do amor.

VIOLÊNCIA X AGRESSIVIDADE

A agressividade faz parte do ser humano. Há em todos nós um dispositivo de agressividade. Historicamente falando, utilizamos muito esse dispositivo na busca de alimentos e na proteção para não nos tornarmos alimento.

Agressividade tem a ver com ação. Ela nos impulsiona a caminhar, a ir ao encontro, em direção ao que queremos. É, de certa forma, necessária para a evolução da nossa espécie.

Violência tem a ver com reação e, geralmente, está relacionada com fatores externos, a fatos passados (e reprimidos) ou presentes.

Violência = violar o direito do outro.

Quando vivemos a não violência assumimos compromisso de não gerar sofrimento a qualquer ser vivo, inclusive nós mesmos.

Uma boa forma de manifestar a não violência no nosso dia-a-dia é através da comunicação assertiva.

ASSERTIVIDADE

A assertividade é o ponto intermediário entre dois comportamentos opostos: a agressividade e a passividade.

A pessoa assertiva não ofende nem desrespeita, mas também não se submete à vontade de outras pessoas; em contrapartida, exprime as suas convicções e defende os seus direitos.

A assertividade supõe expressões conscientes, diretas, claras e equilibradas, com o objetivo de comunicar as nossas ideias e os nossos sentimentos ou defender os nossos legítimos direitos sem a intenção de ofender. Por isso, quem age com base na assertividade, faz com autoconfiança e não com emoções relacionadas a ansiedade ou a raiva, por exemplo.

Ser assertivo é saber dizer SIM quando quer dizer sim e, principalmente, dizer NÃO quando quer dizer não. É manifestar a sua verdade sem agredir o outro, sem VIOLAR o direito que o outro tem de ser o que quiser ser.

A mim cabe afirmar o que eu sinto, quais são as minhas intenções – isso é assertividade. Quando emito julgamento sobre a postura do outro estou exercendo agressividade, violência.

Ahimsa, a não violência, pode se manifestar através da nossa fala, dos nossos pensamentos, das nossas intenções e das nossas ações.

Mahatma Gandhi é a grande personificação de ahimsa. Ele dedicou sua vida a não violência e à verdade e conseguiu a libertação da Índia do poderio inglês sem a utilização de armas ou qualquer ação violenta. Todo o movimento de independência do país aconteceu a partir da não-cooperação e da desobediência civil com greves, atos públicos e marchas persistentes de repúdio à lei do colonizador.

Profile view of Indian political and religious leader and pacificist Mohandas Gandhi (1869 - 1948) as he gestures during a speech, mid 1940s. (Photo by FPG/Getty images)

E você, como tenta praticar esse yama? Quais são seus maiores desafios para viver ahimsa?

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA? | YAMAS

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Você se lembra que no texto da semana passada, eu falei que Yoga é um sistema óctuplo? Se não leu ou quiser reler, clique aqui.

Então, hoje vamos falar da sua primeira parte, os Yamas, as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual.

Yoga é uma forma de estar no mundo, uma forma de viver. Não é religião, apesar de também significar “religação”, “união”. Poderíamos dizer que Yoga é uma filosofia de vida, um caminho para a integração de corpo, mente e espírito.

Dentro dessa filosofia, os yamas representam a conduta ética no relacionamento exterior e significam controle ou domínio. É o pontapé inicial daqueles que almejam se tornar um yogini, um praticante. Os yamas trazem cinco proscrições éticas:

  1. Ahinsa – a não violência
  2. Satya – não mentir
  3. Asteya – não se apropriar das coisas alheias
  4. Brahmacharya– não desvirtuar a sexualidade
  5. Aparigraha– não apegar-se

 

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Yamas = ética no relacionamento com o mundo

O praticante, observando e praticando em sua vida esses valores, estará contribuindo para o desenvolvimento da generosidade e do respeito do si mesmo e por todos os seres.

Se você quer se aprofundar na Yoga, é importante ter em mente que existimos em vários níveis. Existimos e nos manifestamos no Universo através de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, dos nossos sentidos e do nosso corpo físico.

Enquanto existimos, convivemos e estamos o tempo todo trocando energia com outras pessoas, com os ambientes que frequentamos, com a natureza. Recebemos a energia de tudo com o que entramos em contato e devolvemos essa energia de alguma forma, através do que somos. E somos o que fazemos, o que dizemos, o que sentimos e o que pensamos.

Daí surge a necessidade de que, antes de caminhar rumo à meta do Yoga, que é o estado de iluminação exaltado pelo samadhi, façamos um bom estágio na fase preliminar. Quando exercitamos a ética da Yoga, através dos yamas, controlamos amorosamente a nossa forma de estar no mundo e cuidamos da energia que emanamos.

Ghandi dizia que as mudanças que queremos no mundo, devem começar com a gente. Alterar a nossa forma de conviver, de nos relacionar, é uma boa forma de iniciar essas mudanças.

Na próxima semana, falaremos sobre cada um dos Yamas.

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA?

 

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Quando se fala em Yoga, geralmente pensamos em alguém de ponta-cabeça, com o corpo torcido ou em alguma posição estranha. Essa é a visão ocidental de uma ciência nascida na Índia há mais de cinco mil anos.

Essas posições corporais são os asanas, palavra sânscrita que significa posturas. O asana é apenas uma parte da Yoga e a mais conhecida aqui no ocidente. Mas a Yoga abrange muito mais que movimentos físicos.   É um caminho óctuplo para integração de corpo, mente e espírito, para o qual todas as suas partes são muito importantes.

Patanjali, filósofo indiano que viveu provavelmente no século VI a.c., descreveu cada um dos oito passos da Yoga em sua obra Yoga-Sutras, considerada o texto mais antigo sobre o assunto.

Sutra, em sânscrito, significa linha, corrente que segura coisas. Yoga-Sutras seria como um varal contendo frases, aforismos sobre Yoga.

OS OITO PASSOS  DA YOGA, segundo Patanjali

Yamas – representa as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual

Nyamas – disciplina interna, autocontrole

Asanas – posturas

Pranayamas – controle da respiração

Pratyahara – abstração dos sentidos

Dharana – concentração focada em uma única direção, elevado grau de inibição sensorial e desaceleração do pensamento

Dhyana – meditação, continuação de dharana

Samadhi – integração, êxtase, libertação por meio da completa transmutação da consciência. Sensação de fusão com o Universo e com o Absoluto

 

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O objetivo maior da Yoga é a cessação das ondas mentais. É permitir que o praticante entre em estado de meditação e alcance a integração, samadhi. Para isso é necessária a observação de todas as etapas descritas pelo filósofo.

Um professor muito querido, José Antônio Fila,  dizia que Yoga é uma forma de estar no mundo e vai muito além do que fazemos no tapetinho.

O SEGREDO DA SABEDORIA

Uma historinha que o professor Marcos Rojo conta em suas aulas representa muito bem esta forma de estar feliz no mundo, que a Yoga preconiza:

Era uma vez um jovem que vai até o palácio de um Marajá (que naquela época era apenas um sábio) e pergunta a ele qual é a fórmula da sabedoria, como é que se deve vier para que se adquira sabedoria.

O Marajá, ao invés de responder, propõe um desafio ao jovem: “Vou encher uma colher de azeite e você vai percorrer todos os cantos deste palácio sem derramar uma gota de azeite sequer”.

O Jovem sai com a colher na mão, andando com passos pequenos, olhando fixamente para a colher e segurando com tanta força que ficou cansado. Ao voltar, orgulhoso de ter conseguido, mostra a colher para o Marajá, que pergunta se ele viu os belíssimos quadros que estão nas paredes do palácio, se ele viu os jardins e as piscinas maravilhosas que estavam pelo caminho. Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não, e o Marajá disse: “Dessa forma, você nunca encontrará sabedoria. Vivendo só para cumprir suas obrigações, sem usufruir as maravilhas do mundo, você nunca será um sábio.”

Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas que dessa vez observasse tudo pelo caminho. E lá vai o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esquece a colher e passa a observar os quadros, os jardins, os pássaros, etc.

Ao voltar, o Marajá pergunta se ele viu tudo e o jovem extasiado diz que sim. O Marajá pede que ele mostre a colher e percebem que todo o conteúdo foi derramado pelo caminho.

Então o Marajá diz: “O segredo para encontrar a sabedoria é descobrir uma forma de cumprir suas obrigações sem perder a alegria de viver, a capacidade de se encantar com o que a vida te oferece”.

Isso é Yoga. O exercício concentrado dos valores, das atitudes. Yoga é presença, é consciência. É a alegria de desfrutar do nosso corpo, da nossa mente, de tudo que nos é oferecido pela vida.

A cada semana, trarei pra vocês um pouquinho dessa ciência, dessa filosofia, dessa forma de viver.

Com muito amor,

Marília Lopes

VIVENDO COM ARTRITE REUMATOIDE

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Faz 19 anos que vivo com artrite reumatoide. E vivo muito bem, obrigada. Uma crise aqui, outra acolá e a vida segue, até porque a vida é muito mais que isso.

Em 1997, quando eu tinha 25 anos e acabava de dar à luz meu segundo filho, recebi o diagnóstico de artrite reumatoide. Doença crônica, autoimune, sem cura, ataca articulações, causa deformidades, limita movimentos, compromete fígado, pulmão, olhos.  Algo bem assustador em qualquer época da vida, mas quando você tem 25 anos, uma filha de dois anos e um bebê recém-nascido, é apavorante.

Senti medo, revolta, perguntei por que comigo, deprimi, resisti, sofri. Foi uma fase difícil. Uma fase longa e difícil que passou, como tudo passa.  Você já ouviu dizer que a dor é inevitável e o sofrimento é opcional? Posso afirmar que é assim mesmo. Optei por não sofrer, por não deixar que a doença se tornasse o centro do meu universo.

O sofrimento se foi e a dor ficou, é minha companheira há 19 anos e fui aprendendo a lidar com ela.Ela passa algum tempo sem dar a caras e de repente chega chegando. Aí a gente conversa, tenta se entender. Eu pergunto o que ela veio me trazer, ela  às vezes responde aos gritos, às vezes com sussurros ou simplesmente se cala. Eu a observo, sinto como ela quer ser tratada, peço ajuda quando não dou conta de hospedá-la sozinha. A gente vai convivendo, até que ela se vai, sem data marcada para voltar.

A dor acabou se tornando uma mestra, uma guia. Foi ela quem me conduziu ao caminho do autoconhecimento, foi ela quem me estimulou a me olhar, ir mais fundo, conhecer os padrões, as crenças e os condicionamentos que orientam meus pensamentos, minha forma de viver, minhas escolhas.

O cuidado que tenho com o meu corpo também devo a ela. Vivo em movimento. Não permito que a rigidez e a fadiga, que em conjunto com a dor formam o tripé da artrite, me paralisem. A atividade física é fundamental para me manter estável, equilibrada e forte. Preciso de força muscular para amparar as articulações debilitadas.

Tomo medicação sistematicamente desde que fui diagnosticada. Pra contrabalancear, cuido com carinho da minha alimentação.  A dobradinha atividade física+alimentação equilibrada é vital pra manter meu corpo bem.

Como tive a felicidade de encontrar bons médicos e iniciar o tratamento logo que a doença foi diagnosticada, tenho poucas lesões articulares e praticamente nenhuma limitação.

E tão importante quanto cuidar do corpo físico, aprendi nesses anos que é preciso cuidar do corpo mental, emocional e espiritual. Somos um ser integral e, geralmente, o físico serve para sinalizar o que não vai bem em outros níveis. Daí a importância de se conhecer, de se observar, de ir além do analgésico, que pode apenas estar afastando de você um mensageiro valioso.

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As pausas necessárias

Nas crises, como a que vivo no momento, sinto dor, acentuam-se rigidez e fadiga. Nessas fases, faço adaptações, deixo as atividades de impacto fora da minha rotina,  diminuo o ritmo, entro em “stand by”.

Como a natureza, que alterna  ciclos de expansão e de contração, nós também temos nossos períodos de introspecção e de extroversão, de aceleração e repouso. A artrite me ensinou a respeitar essa necessidade que tenho de me recolher, de dar pausas, de descansar. Até ela aparecer, nada me segurava, vivia numa ansiedade sem fim, pensando o tempo todo no que precisava fazer depois.

A calma e a tranquilidade que encontrei, a serenidade com que tento encarar a vida, a habilidade que desenvolvi de respirar e relaxar mesmo quando o mundo ao meu redor parece desmoronar, foi conquistada num longo processo que teve início com a minha indignação em ser portadora dessa doença.

Infelizmente eu precisei da artrite reumatoide, um gatilho doloroso para aprender a viver um momento de cada vez,  mas nem todos precisam.

Se você se percebe ansiosa, preocupada, pensando demais, cansada, acelerada, PARE. Olhe com amor pra você, desacelere, se dê momentos de silêncio, fique sem fazer nada, entre em contato com a natureza, respire. A pausa é fundamental para a nossa saúde física, mental e emocional.

Se você quer entender melhor o que é a artrite reumatoide, clique aqui.

Com amor,

Marília Lopes

 

 

VÍDEO: O QUE APRENDI COM O SILÊNCIO | Márcia Baja

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Neste vídeo, Márcia Baja nos conta o que aprendeu com o silêncio e como a meditação pode ser útil no  processo de soltarmos aquilo que não somos, pra deixar brilhar a nossa essência.

Descanse disso que você acha que é, pra você ser o que realmente é

Márcia Baja completou um retiro fechado de 3 anos e 3 meses em 2013. Ela atua como instrutora de ioga e também como tutora do CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva, que está presente em vários estados do Brasil. Hoje oferece cursos pelo país e reside no CEBB Darmata, em Timbaúba (PE), onde ajuda a coordenar retiros fechados. Desde 1996, Márcia é aluna de Lama Padma Samten, o mestre budista que fundou o CEBB.

Através do olhar, da voz e de gestos que são pura serenidade, ela fala com propriedade do processo de meditação e nos mostra como deveria ser simples e fundamental o relaxar, o soltar, o observar.

Márcia Baja é pura inspiração. Vale apena investir seu tempo para ouvi-la.

Com amor,

Marília Lopes

A gente recebe as coisas e vai fazendo o que todo mundo faz, mas a gente não para pra pensar se esse é o meu caminho, se isso é o que eu gostaria de realizar na minha vida (…) a gente vai numa onda, fazendo o que é comum, o que tem sido comum pra todos, sem fazer esse mergulho dentro de si mesmo.

Márcia Baja

*Imagem Google

PARA CAROLINA

 

Uma carta de intenções, uma forma de enviar para o Universo aquilo que desejo para minha filha que hoje faz 21 anos. Estas são, também, as minhas aspirações para todos os seres. 

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A cada aniversário seu, comemoro mais um ano como mãe.

Com você nasceu a melhor parte de mim.

Há 21 anos, quando te vi pela primeira vez, me surpreendi com a sutileza do que eu sentia. Esperava uma emoção gigantesca, o amor transbordando em mim. Não foi assim.

Nosso amor chegou de mansinho, não num rompante. Não foi amor à primeira vista.

Enquanto te carreguei dentro de mim, sentia uma doce responsabilidade pelo ser que chegava neste mundo através do meu corpo, mas ainda não era o amor que eu esperava.

Amor chegou no dia-a-dia, no toque, no olhar, no leite.

Amor chegou e cresceu, cresceu junto com você e continuou crescendo quando você já não mais crescia.

Amei o bebê, amei a criança, amei a menina e a moça, amo a mulher que você se tornou e amarei o que você vier a ser.

Toda a sua história vive na minha memória. Aqui, dentro de mim, estão todas as Carolinas que você já foi.

Hoje, pensei em muitas de formas de celebrar esses 21 anos à distância. Cismei de te dedicar palavras  acreditando no imenso poder que nelas existem e esperando que cada uma encontre abrigo em ti e se torne realidade.

Vou  usar as letras pra desenhar meus desejos, minhas intenções e minhas bênçãos para você:

Quero que conheça o AMOR de todas as formas. Amor por você, amor pelo próximo, amor pelo Divino e por todas as suas criaturas. Que você dê e receba amor sempre;

que tenha CONSCIÊNCIA de que é potencialidade pura e que tudo é possível a partir da sua vontade;

que experimente a CONEXÃO com a sua essência luminosa, com a presença divina que há em você e com a energia amorosa de seus mestres e guias espirituais, que se sinta protegida, segura e amada;

que a GRATIDÃO e CONTENTAMENTO façam parte de ti. Seja grata pelo que é, pelo que tem, por tudo que vem ou vai e saiba que nada é por acaso e há um propósito para tudo;

que viva a ALEGRIA, que é o alimento da alma.  Divirta-se, celebre, dance, brinque, encontre a criança que há em você e cuide sempre dela. Saiba rir de si mesma, saiba rir da vida e para a vida;

que faça SILÊNCIO, ouça seu coração, só ele sabe o que é bom pra você. Dê pausas. Respire. Se observe. Medite.

que você viva sem EXPECTATIVAS e sem CERTEZAS, elas abortam as surpresas da vida, nos  forçam a ver o mundo através do que já existe na memória, impedem novos olhares ;

que você sinta a energia de DEUS em tudo o que há e que aprenda com a mãe natureza a SER:

ser RIO e fluir, movimentar-se, transformar-se, não se apegar às formas.  Lembre-se que a mudança é a própria vida;

ser TERRA, terreno fértil a nutrir  ideias, sentimentos, relações. Amorosamente, acolha o novo,nutra  o que deve permanecer e aceite as mortes necessárias;

ser FLOR e oferecer ao mundo o que há de melhor em você. Aprenda com elas a não possuir, não acumular: nem coisas, nem conhecimento, nem experiências, nem dores, nem pessoas. Distribua seu talento, seu amor, seus dons;

ser ÁRVORE e respeitar suas raízes: olhe pra traz e seja grata ao que veio antes de ti, honre a sua historia, a sua família, os seus antepassados. Cresça em direção ao alto, de onde emana o poder divino que te sustenta. Permita-se ser alento aos que precisarem da sua sombra e dos seus frutos;

ser FOGO que ilumina, que aquece e que transmuta. Que você seja fonte de luz, sabedoria, calor humano. Que saiba transformar as adversidades em aprendizagens.

Por fim, quero que você se ame completamente e incondicionalmente, que viva no AQUI e no AGORA ciente das infinitas possibilidades que existem em você e que seja feliz como escolher ser.

E assim É!

Lá do fundo do meu coração,

Marília Lopes, mãe da Carolina

 

SOU PERFEITA SEM MODELADOR

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Hoje me deparei com uma propaganda de lingerie no Facebook. Uma foto de uma mulher magra vestindo apenas um modelador e a frase: VOCÊ PERFEITA.

Me peguei pensando sobre o assunto: o que é ser perfeita? um modelador teria a capacidade de me APERFEIÇOAR ou apenas de ESCONDER o que considero imperfeição?

Existe perfeição? Ou existe um padrão criado sei lá por quem e uma indústria tentando, o tempo todo, nos convencer de que precisamos nos encaixar.

Eu não quero participar dessa brincadeira de entrar no quadrado. Escolho me aceitar e olhar com muito amor para o que eu sou, para o corpo que eu tenho.

Eu escolho ver a perfeição que há em mim.

Eu sou perfeita com ou sem modelador.

Sou perfeita do jeito que sou. Sou perfeita com celulite, pneuzinhos e flacidez.

Eu sou perfeita quando acordo, quando saio do banho, com os cabelos molhados, despenteados ou suados.

Eu sou perfeita maquiada ou de cara lavada, produzida ou de pijama.

Carrego neste corpo 43 anos de história e muitas marcas. Tenho um orgulho imenso de cada registro que ele contem.

Se meus pés falassem, eles contariam que sofri uma queda aos quatorze anos e tive uma luxação mal cuidada no pé esquerdo. Eles falariam sobre uma artrite reumatóide que chegou na minha vida cedo demais, atacou severamente um tornozelo e vem me ensinando, com muita dor, a importância de me flexibilizar. Mas esses pés falariam também de SUPERAÇÃO. Falariam de uma peregrinação de 170 km a pé até Aparecida. Falariam do sonho realizado de correr e falariam de como cada passo foi importante pra me trazer até onde estou.

Minha barriga, muito longe de ser um tanquinho, contaria a história mais importante de todas: a de dois seres lindos que ali, nas suas entranhas, foram gerados. Ela traz, além da marca das cesáreas, a marca do amor e do medo que nasceram junto com meus filhos. Ela fala sobre emoção, aceitação, acolhimento, ansiedade e alívio. É ali que estão guardadas as minhas melhores memórias.

Meus seios —bem diferentes do eram antes de alimentar meus bebês — discorreriam sobre o tempo que doei e as rachaduras nas primeiras mamadas. Sobre o toque das mãozinhas nos meus cabelos e as noites sem dormir. Sobre cansaço, quilos perdidos e roupas cheirando a leite. Mas deles você ouviria também lindas histórias sobre o mar de carinho em que eu mergulhava cada vez que me entregava à amamentação e sobre os olhares mais amorosos e sinceros que recebi em minha vida.

Meus punhos falariam da minha teimosia e arrogância que resultaram em lesões articulares irreversíveis porque, em algum momento, resolvi não mais me medicar. Esses punhos relatariam meses de depressão e dor, mas gritariam muito alto: ISSO TAMBÉM PASSOU!

E os ombros? esses carregaram por muito tempo o peso da responsabilidade excessiva e da necessidade de controle. E de tanto esforço, de tanto acreditar que precisavam carregar o mundo, eles cederam, quebraram. Mas eles também me ensinaram o valor das parcerias, o quanto é bom ter com quem contar, dividir, e como a vida foi generosa me oferecendo muitos irmão, amigos e um companheiro incrível.

Meus cabelos, com seus primeiros fios brancos, sussurram nos meus ouvidos que o tempo está passando, mas que não é a idade cronológica que importa, que o que vale mesmo é COMO MINHA ALMA ESCOLHE VIVER.

Minha face fala muito de mim. As linhas de expressão entregam que passei muito tempo “PRÉ-OCUPADA”, acreditando que tudo estava nas minhas mãos e dependiam só de mim pra funcionar bem. Custou pra eu aprender a soltar, a entender que existe uma força superior que rege tudo e que a mim basta viver um momento de cada vez e confiar que tudo é exatamente como deveria ser.

Nesse corpo imperfeito e cheio de memórias, pulsa a VIDA e a PERFEIÇÃO de tudo que foi necessário pra eu ser quem eu sou.

EU SOU PERFEITA SEM MODELADOR. Nada vai modelar minhas experiências ou disfarçar as marcas que elas deixaram em mim.

Com amor,
Marília Lopes

VÍDEO: QUAL O SENTIDO DO CASAMENTO NOS DIAS DE HOJE? | Monja Coen

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Conheci Monja Coen durante meu curso de formação em Yoga no espaço do professor Marcos Rojo, em São Paulo. Desde então a acompanho pelas redes sociais. Gosto muito da sua visão budista sobre as questões da vida. Seus ensinamento serão compartilhados aqui com frequência. Nesse vídeo, ela fala sobre os votos  no casamento budista. Vale a pena assistir!

Com amor,

Marília Lopes

 Cada um de nós é o centro da mandala da nossa vida (…) mas no momento de um casamento, onde essa duas mandalas se encontram, forma-se a terceira mandala e os noivos, os dois, o casal está junto. E é do casal que tem que sair essa proposta: porque nos casamos? porque queremos nos casar? qual o significado do casamento? vamos nos apoiar nessa história?

Monja Coen

ONDE ESTÁ O SEU PODER?

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Eu estou exatamente onde os MEUS PÉS me trouxeram. Eu sou 100% responsável por quem eu sou e por tudo o que acontece comigo.

Tomar consciência disso foi uma das experiências mais libertadora que vivi. Quando deixei de culpar qualquer fator externo pelas adversidades e aprendi a assumir as conseqüências das minhas ações, palavras, pensamentos e até sentimentos, percebi que eu poderia transformar minha vida. E foi o que aconteceu.

Enquanto a culpa pelos nossos fracassos, pelo que nos causa decepção, dor, incômodo ou medo for do outro, do país em que vivemos, da família em que crescemos, dos professores ruins, da crise financeira, do chefe, ou de qualquer coisa que não NÓS MESMOS, não haverá estímulo para mudança. Se eu não sou responsável pela situação que vivo, não tenho como mudá-la. E espero que algo aconteça fora de mim para que eu fique bem, me vejo como uma pobre vítima das circunstâncias.

E quando agimos como vítimas, abrimos mão do poder de realizar, do poder de transformar. É muito comum entregarmos este poder para outras pessoas ou criarmos infinitas condições para exercê-lo: vou me cuidar “quando” tiver tempo, “quando” for feliz, serei feliz “se” me casar, “se” tiver um diploma, “se” tiver um corpo perfeito, “se” estiver no emprego dos sonhos.

Nesse círculo vicioso dificilmente seremos felizes. Ou decidimos parar, olhar pra dentro, viver o aqui e o agora, começar de onde estamos ou viveremos frustrados e na expectativa de dias melhores.

Quando saímos da energia de vítima para entrar na energia da autorresponsabilidade, retomamos o nosso poder, olhamos a vida por outra perspectiva, nos sentimos capazes de transformar a nós mesmos e o mundo ao nosso redor. É um desfio que vale a pena!

E você, quais condições impõe para a sua felicidade? Onde está colocando o seu poder?

Com amor,

Marilia Lopes