SER FELIZ É UMA ESCOLHA?

 

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Eu acredito que temos o poder de escolher a vida que queremos.

Escolhemos viver bem quando enxergamos o que há de melhor em cada situação, quando aproveitamos cada momento com o máximo de presença, independente de onde estamos ou do que estamos fazendo.

Sempre que desejamos estar em outro lugar, fazendo outra coisa, vivendo outra vida, estamos perdendo tempo e energia. Estamos vivendo em negação. Estamos escolhendo ser infelizes.

Nem sempre compreendemos os porquês da nossa existência, mas apesar disso podemos acolher o que chega, aceitar a vida como a vida é e aprender as lições que ela nos apresenta.

Então, não lute contra o que é. Descubra qual é o sentido dessa experiência, aprenda bem a lição e siga em frente.

Quando a gente para de resistir e simplesmente aceita, a vida fica muito mais simples, mais leve, mais alegre.

Pense nas flores: elas não resistem ao crescimento e às mudanças… naturalmente buscam a luz, crescem e desabrocham perfeitamente.

Nós podemos fazer o mesmo.

Permitir que vida flua através de nós sem querer controlar os acontecimentos é viver como a natureza.

Entregue a sua vida ao poder maior que te guia. Confie que tudo é perfeito como é. Aceite amorosamente tudo o que vier, porque é o que você precisa. Agradeça a possibilidade de aprender sempre com o que chega.

Entrego. Confio. Aceito. Agradeço.

Com amor,

Marília Lopes

 

 

O TABU DA ANSIEDADE

Um texto da minha filha, Carolina Sáber, que está cada dia mais consciente da necessidade de se conhecer, de se observar e de como lidar com as emoções e com as sensações geradas constantemente em nós.

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Algo que me chama atenção nas pessoas com quem me relaciono e em mim mesma é o fato de não conhecermos ao certo o processo emoção – sentimento – pensamento que existe em nós e nos motiva a tomar atitudes o tempo todo. Já vi em vários filmes e séries encontros de narcóticos e alcoólicos em que as reuniões começam com uma apresentação padrão: “Oi, meu nome é X e eu sou alcóolatra.” E isso começou a fazer sentido pra mim quando entendi que essa frase curta e impactante é o reconhecimento de algo que você considera um problema e está disposto a tratar.

Quando falamos de ansiedade acredito que o caminho seja o mesmo, de identificação do sentimento, de perceber o que acontece no seu corpo quando você a sente e do motivo pelo qual isso é desencadeado. Para exemplificar do que eu estou falando quando uso a palavra “ansiedade” vou descrever algumas situações minhas e de pessoas que conheço para que saibamos que estamos tratando de conceitos semelhantes.

Falar de ansiedade, para mim, é falar de crises de choro e desespero por não conseguir fazer um trabalho da faculdade que seria possível concluir em uma hora em circunstâncias comuns, é falar de insônia, de acordar de madrugada com uma lista de afazeres passando repetidamente na cabeça, obrigações que qualquer pessoa resolveria de maneira tranquila, mas que gera um estresse gigante pra quem é ansioso, é falar ainda de tremor nas pernas e de suor nas mãos, é falar de planejar uma viagem com meses de antecedência e sofrer pelos detalhes.

Falar de ansiedade é falar também de ansiedade social. De pensar inúmeras vezes antes de expressar uma opinião e depois pensar mais várias se realmente falou aquilo da melhor maneira;  é falar sobre ficar nervosa antes de uma festa e pensar com quantas pessoas desconhecidas vai ser necessário conversar, é falar de mal estar, de embrulho no estômago e vontade de vomitar quando existe a possibilidade de falar em público; é pensar em desmarcar compromissos, é a vontade de não sair de casa para não ter que explicar para as pessoas o porquê de estar se sentindo assim. Ou seja, ser ansioso é se privar para não sofrer.

Cada indivíduo possui maneiras de expressar essa ansiedade que existe, de alguma forma, dentro de todos nós. Você pode se identificar com uma, alguma ou todas as condutas descritas acima, ou pode passar por outras situações completamente diferentes.  Mas fato é que ansiedade é um sentimento/emoção que surge antes da situação realmente acontecer. É um sofrimento antecipado e, portanto, desnecessário mas que deve ser olhado com carinho, amor e atenção.

Importante mencionar que na sociedade atual, com a quantidade de estímulos a que somos submetidos, o sem fim de tarefas das quais temos que dar conta, prazos e mais prazos, provas finais, trabalhos a serem entregues, e pra completar, uma cobrança social e individual que sejamos perfeitos, é natural que estejamos criando um mundo onde a ansiedade se prolifera.

A partir do momento que sabemos que a ansiedade existe e que isso é algo inerente ao ser humano, em maior ou menor grau, é mais fácil e menos dolorido lidar com essa emoção. Eu já senti ansiedade que doía, doía no meu corpo e naquele momento eu faria qualquer coisa para me livrar dela, e horas depois eu já estava bem e me sentia capaz de seguir minha vida, sem precisar esperar até que não existisse mais nenhum resquício em mim.

A identificação é tão necessária porque só assim é possível lidar com essa sensação  e não deixar que ela domine sua vida. Somente dessa maneira, a meu ver, é que podemos chegar ao ponto de nos policiar, e pensar: “opa, estou tendo estas atitudes por causa da ansiedade”. Tendo consciência que ela existe em nós, e não exclusivamente em mim ou em você, é que poderemos não colocar tanta importância nesse sentimento que é passageiro. Mas sim, olhá-lo como um visitante, que chega, faz uma bagunça, e vai embora. E posso falar com certeza: vai! Pode ser que fique algo pra ser arrumado, umas emoções para serem colocadas no lugar e questionamentos sobre o quão natural isso pode ser se causa tanto sofrimento.

Vale lembrar que o sofrimento faz parte da nossa experiência humana, que aceita-lo e deixa-lo partir naturalmente faz parte do fluxo da vida. Assim como a ansiedade! Se a olharmos, identificarmos aquilo que a gerou e conseguirmos esperar que ela passe já será uma conquista e tanto. Com isso vamos aprendendo que não é necessário esperarmos ela não mais existir para sermos felizes e realizados.

Nesse mundo onde impera a disputa, o aumento da produtividade, e que as pessoas são avaliadas mais pelo seu rendimento do que pela presença naquilo que fazem, falar de ansiedade se tornou sinônimo de falar de fraqueza e incompetência, mas isso não condiz com a realidade. Será que dar conta do recado é viver em desespero e angustiado, enchendo a agenda de compromissos, tentando atingir metas inalcançáveis e conseguindo, no máximo, uma gastrite nervosa, ou será que vai além disso?

Acredito que lidar com ansiedade seja um trabalho contínuo, diário, incessante e por vezes cansativo. É autoconhecimento, é olhar para você mesmo e entender seus processos, observar quais tipos de pensamentos são gatilhos para crises e aceitá-los, com amor e paciência, e transformá-los; é sair das crises de cabeça erguida e saber que você, sem dúvidas, dá conta do recado. Saber que você agora está mais forte e que uma emoção não vai ser capaz de te destruir se você aprender a lidar com ela. Vamos falar sobre ansiedade….

Carolina Sáber

 

SOU PERFEITA SEM MODELADOR

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Hoje me deparei com uma propaganda de lingerie no Facebook. Uma foto de uma mulher magra vestindo apenas um modelador e a frase: VOCÊ PERFEITA.

Me peguei pensando sobre o assunto: o que é ser perfeita? um modelador teria a capacidade de me APERFEIÇOAR ou apenas de ESCONDER o que considero imperfeição?

Existe perfeição? Ou existe um padrão criado sei lá por quem e uma indústria tentando, o tempo todo, nos convencer de que precisamos nos encaixar.

Eu não quero participar dessa brincadeira de entrar no quadrado. Escolho me aceitar e olhar com muito amor para o que eu sou, para o corpo que eu tenho.

Eu escolho ver a perfeição que há em mim.

Eu sou perfeita com ou sem modelador.

Sou perfeita do jeito que sou. Sou perfeita com celulite, pneuzinhos e flacidez.

Eu sou perfeita quando acordo, quando saio do banho, com os cabelos molhados, despenteados ou suados.

Eu sou perfeita maquiada ou de cara lavada, produzida ou de pijama.

Carrego neste corpo 43 anos de história e muitas marcas. Tenho um orgulho imenso de cada registro que ele contem.

Se meus pés falassem, eles contariam que sofri uma queda aos quatorze anos e tive uma luxação mal cuidada no pé esquerdo. Eles falariam sobre uma artrite reumatóide que chegou na minha vida cedo demais, atacou severamente um tornozelo e vem me ensinando, com muita dor, a importância de me flexibilizar. Mas esses pés falariam também de SUPERAÇÃO. Falariam de uma peregrinação de 170 km a pé até Aparecida. Falariam do sonho realizado de correr e falariam de como cada passo foi importante pra me trazer até onde estou.

Minha barriga, muito longe de ser um tanquinho, contaria a história mais importante de todas: a de dois seres lindos que ali, nas suas entranhas, foram gerados. Ela traz, além da marca das cesáreas, a marca do amor e do medo que nasceram junto com meus filhos. Ela fala sobre emoção, aceitação, acolhimento, ansiedade e alívio. É ali que estão guardadas as minhas melhores memórias.

Meus seios —bem diferentes do eram antes de alimentar meus bebês — discorreriam sobre o tempo que doei e as rachaduras nas primeiras mamadas. Sobre o toque das mãozinhas nos meus cabelos e as noites sem dormir. Sobre cansaço, quilos perdidos e roupas cheirando a leite. Mas deles você ouviria também lindas histórias sobre o mar de carinho em que eu mergulhava cada vez que me entregava à amamentação e sobre os olhares mais amorosos e sinceros que recebi em minha vida.

Meus punhos falariam da minha teimosia e arrogância que resultaram em lesões articulares irreversíveis porque, em algum momento, resolvi não mais me medicar. Esses punhos relatariam meses de depressão e dor, mas gritariam muito alto: ISSO TAMBÉM PASSOU!

E os ombros? esses carregaram por muito tempo o peso da responsabilidade excessiva e da necessidade de controle. E de tanto esforço, de tanto acreditar que precisavam carregar o mundo, eles cederam, quebraram. Mas eles também me ensinaram o valor das parcerias, o quanto é bom ter com quem contar, dividir, e como a vida foi generosa me oferecendo muitos irmão, amigos e um companheiro incrível.

Meus cabelos, com seus primeiros fios brancos, sussurram nos meus ouvidos que o tempo está passando, mas que não é a idade cronológica que importa, que o que vale mesmo é COMO MINHA ALMA ESCOLHE VIVER.

Minha face fala muito de mim. As linhas de expressão entregam que passei muito tempo “PRÉ-OCUPADA”, acreditando que tudo estava nas minhas mãos e dependiam só de mim pra funcionar bem. Custou pra eu aprender a soltar, a entender que existe uma força superior que rege tudo e que a mim basta viver um momento de cada vez e confiar que tudo é exatamente como deveria ser.

Nesse corpo imperfeito e cheio de memórias, pulsa a VIDA e a PERFEIÇÃO de tudo que foi necessário pra eu ser quem eu sou.

EU SOU PERFEITA SEM MODELADOR. Nada vai modelar minhas experiências ou disfarçar as marcas que elas deixaram em mim.

Com amor,
Marília Lopes