UM ANO SEM… O QUE APRENDI COM O SADHANA

O que acontece quando a gente decide mudar um hábito, escolhe agir ou pensar diferente? Um novo caminho se abre na nossa vida…

 

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UM ANO SEM AÇÚCAR

Há alguns anos, enquanto eu passava por uma situação complicada, fiz um voto. Num dia 12 de outubro ao meio-dia, ao som dos foguetes oferecidos à Nossa Senhora Aparecida, decidi que ficaria um ano inteiro sem consumir açúcar.

Naquela época eu era apaixonada por doce, amava sorvete, era chocólatra. Mas, apesar disso, me comprometi a ficar 12 meses sem ingerir nada que contivesse açúcar ou outro tipo de adoçante.  Tirei sobremesas, bolos, roscas, refrigerantes, sucos adoçados e até o cafezinho.

Essa foi a primeira vez que escolhi me privar de alguma coisa em prol de algo maior. Gostei da experiência. Foi muito bom perceber que podia me controlar, que era capaz de dizer não pra mim mesma.

Descobri em mim uma força que eu não conhecia, me vi capaz de fazer escolhas mais conscientes, me senti livre.

E aprendi que quando a gente se dispõe a crescer através do autoconhecimento, o Universo se aproveita muito dessa disposição. Dentro daquilo que me propus, enfrentei situações em que era muito difícil resistir.

Na Yoga, usamos o termo sânscrito sadhana para representar os sacrifícios que escolhemos fazer ao longo da nossa jornada a fim de fortalecer nosso espírito – sadhana é o meio para alcançar um fim desejado, é uma prática, um caminho.

Ficar sem açúcar foi meu primeiro sadhana. Depois disso, muitos outros vieram: sem carne, sem álcool, sem pão francês, sem falar dos outros, sem gritar, sem julgar, sem criticar, e mais, muito mais. Alguns com duração de um ano, outros do tipo “só por hoje” e ainda os de 21 dias, 40 dias, 30 dias.

UM ANO SEM COMPRAR

Por último, fiquei um ano sem comprar roupas e sapatos para mim. De 12 de outubro de 2015 até 12 de outubro de 2016 eu não comprei nenhuma peça.

Combinei com a minha família que eu poderia ganhar, mas se eles quisessem e o que eles escolhessem me oferecer. Assim, eu exercitaria a humildade ao pedir e ao aceitar o que viesse, inclusive o não.

Cada sadhana é único e te mostra diferentes sujeiras jogadas pra debaixo do tapete.

Nessa última experiência, percebi o quanto eu associava o consumo à satisfação das mais diversas necessidades. Comprava para saciar desejos que não seriam saciados com sapatos novos ou novas “brusinhas”. Desejava coisas da quais eu não precisava.

Descobri, durante esse ano, que dava pra fazer combinações diferentes com peças repetidas, fui aprendendo a valorizar o que já tinha e a descartar definitivamente o que eu não conseguia usar. Aprendi a me relacionar com roupas e sapatos de uma forma diferente, sem colocar neles a responsabilidade de me fazer sentir assim ou assado. Foi um período de muito aprendizado. Precisei lidar com algumas insatisfações, com a vaidade e a falta dela, com autoestima e com meus conceitos sobre ser ou estar bonita. Justamente durante esse período tive uma fratura e alguns probleminhas hormonais que me renderam mais 5 k na balança e alguns centímetros de coxa e quadril.

Como falei lá em cima, o Universo aproveita da nossa disposição e esfrega na nossa cara o que somos e fazemos dentro do contexto do voto. Ele nos testa de todas as formas. Em julho, eu só tinha uma calça jeans que entrava no meu corpo.

UM NOVO CAMINHO

Quando saímos da zona de conforto e nos desafiamos, somos forçadas a abrir novos caminhos. Ao deixar de fazer alguma coisa, automaticamente precisamos aprender a fazer diferente, a olhar por outro ângulo, a conhecer a nossa dinâmica de pensamentos e desejos.

O mais interessante dos sadhanas é que, depois de nos forçarmos por um tempo a seguir o caminho escolhido, ele se torna natural. Agora não tenho mais fissura por doce, não costumo comprar por impulso e procuro observar onde nascem os meus desejos, seja por um chocolate, por um sapato novo ou por falar algo que pode ser substituído pelo silêncio… ou por um sorriso.

Já estou planejando como será 2017. O meu próximo voto terá início no dia 01 de janeiro. Mas, sobre isso, vamos conversar numa outra hora.

Só para constar: ainda caio em tentação, afinal não sou nenhum Buda 😉

Com amor,

Marília Lopes

UMA FLOR E MUITO AMOR

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Essa flor linda, amarilis, foi um presente de aniversário.

Um presente de alguém muito especial. Alguém que, ao longo dos anos, vem aprendendo a me olhar, a me aceitar, a me amar.

Quem me deu essa flor escolheu conviver com a minha luz e com a minha sombra, com minhas calmarias e com minhas tempestades, com minha força e com minhas vulnerabilidades;

Quem me deu essa flor me questiona, me enfrenta, me faz encarar crenças, padrões, condicionamentos;

Quem me deu essa flor me ama sem condições, me apoia nas minhas loucuras, me ampara nos meus desalentos e é a presença mais lúcida e mais carinhosa nas minhas crises de existência;

Quem me deu essa flor mergulha constantemente num mar de emoções e sentimentos conhecido por Marilia, observa pensamentos e atitudes, testa limites, extrapola barreiras;

Quem me deu essa flor é a presença amorosa da mãe que acolhe e o pulso firme do pai que detém;

Quem me deu essa flor me guia pelos caminhos do amor próprio, do autocuidado e da autorresponsabilidade;

Quem me deu essa flor é o estímulo para viver intensamente cada momento, é a lembrança de agradecer pelo que a vida traz, é o contentamento e a alegria;

Quem meu deu essa flor me ensina que felicidade é uma escolha,  que estar aqui, compartilhando desse projeto chamado vida, é uma dádiva divina e que se amar não é egoísmo, é necessidade.

Quem me deu essa flor fui EU.

Já faz algum tempo que me tornei a pessoa mais importante da minha vida e que tenho experimentado me amar antes de amar o outro, me cuidar antes de cuidar do outro, buscar em mim o que eu preciso para transformar as minhas relações e a minha forma de estar no mundo.

Quando meu olhar se voltou para mim, eu entendi o significado das palavras de Jesus: “ama o teu próximo COMO a si mesmo”.

Não há possibilidades de amar o outro sem se amar, de valorizar o outro sem se valorizar, de transformar o outro sem se transformar. Tudo começa dentro, tudo começa em nós.

A amarilis foi o presente que eu me ofereci para celebrar mais um ano e ela representa a beleza de uma história de amor que não tem fim.

Com amor,

Marília Lopes

O TABU DA ANSIEDADE

Um texto da minha filha, Carolina Sáber, que está cada dia mais consciente da necessidade de se conhecer, de se observar e de como lidar com as emoções e com as sensações geradas constantemente em nós.

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Algo que me chama atenção nas pessoas com quem me relaciono e em mim mesma é o fato de não conhecermos ao certo o processo emoção – sentimento – pensamento que existe em nós e nos motiva a tomar atitudes o tempo todo. Já vi em vários filmes e séries encontros de narcóticos e alcoólicos em que as reuniões começam com uma apresentação padrão: “Oi, meu nome é X e eu sou alcóolatra.” E isso começou a fazer sentido pra mim quando entendi que essa frase curta e impactante é o reconhecimento de algo que você considera um problema e está disposto a tratar.

Quando falamos de ansiedade acredito que o caminho seja o mesmo, de identificação do sentimento, de perceber o que acontece no seu corpo quando você a sente e do motivo pelo qual isso é desencadeado. Para exemplificar do que eu estou falando quando uso a palavra “ansiedade” vou descrever algumas situações minhas e de pessoas que conheço para que saibamos que estamos tratando de conceitos semelhantes.

Falar de ansiedade, para mim, é falar de crises de choro e desespero por não conseguir fazer um trabalho da faculdade que seria possível concluir em uma hora em circunstâncias comuns, é falar de insônia, de acordar de madrugada com uma lista de afazeres passando repetidamente na cabeça, obrigações que qualquer pessoa resolveria de maneira tranquila, mas que gera um estresse gigante pra quem é ansioso, é falar ainda de tremor nas pernas e de suor nas mãos, é falar de planejar uma viagem com meses de antecedência e sofrer pelos detalhes.

Falar de ansiedade é falar também de ansiedade social. De pensar inúmeras vezes antes de expressar uma opinião e depois pensar mais várias se realmente falou aquilo da melhor maneira;  é falar sobre ficar nervosa antes de uma festa e pensar com quantas pessoas desconhecidas vai ser necessário conversar, é falar de mal estar, de embrulho no estômago e vontade de vomitar quando existe a possibilidade de falar em público; é pensar em desmarcar compromissos, é a vontade de não sair de casa para não ter que explicar para as pessoas o porquê de estar se sentindo assim. Ou seja, ser ansioso é se privar para não sofrer.

Cada indivíduo possui maneiras de expressar essa ansiedade que existe, de alguma forma, dentro de todos nós. Você pode se identificar com uma, alguma ou todas as condutas descritas acima, ou pode passar por outras situações completamente diferentes.  Mas fato é que ansiedade é um sentimento/emoção que surge antes da situação realmente acontecer. É um sofrimento antecipado e, portanto, desnecessário mas que deve ser olhado com carinho, amor e atenção.

Importante mencionar que na sociedade atual, com a quantidade de estímulos a que somos submetidos, o sem fim de tarefas das quais temos que dar conta, prazos e mais prazos, provas finais, trabalhos a serem entregues, e pra completar, uma cobrança social e individual que sejamos perfeitos, é natural que estejamos criando um mundo onde a ansiedade se prolifera.

A partir do momento que sabemos que a ansiedade existe e que isso é algo inerente ao ser humano, em maior ou menor grau, é mais fácil e menos dolorido lidar com essa emoção. Eu já senti ansiedade que doía, doía no meu corpo e naquele momento eu faria qualquer coisa para me livrar dela, e horas depois eu já estava bem e me sentia capaz de seguir minha vida, sem precisar esperar até que não existisse mais nenhum resquício em mim.

A identificação é tão necessária porque só assim é possível lidar com essa sensação  e não deixar que ela domine sua vida. Somente dessa maneira, a meu ver, é que podemos chegar ao ponto de nos policiar, e pensar: “opa, estou tendo estas atitudes por causa da ansiedade”. Tendo consciência que ela existe em nós, e não exclusivamente em mim ou em você, é que poderemos não colocar tanta importância nesse sentimento que é passageiro. Mas sim, olhá-lo como um visitante, que chega, faz uma bagunça, e vai embora. E posso falar com certeza: vai! Pode ser que fique algo pra ser arrumado, umas emoções para serem colocadas no lugar e questionamentos sobre o quão natural isso pode ser se causa tanto sofrimento.

Vale lembrar que o sofrimento faz parte da nossa experiência humana, que aceita-lo e deixa-lo partir naturalmente faz parte do fluxo da vida. Assim como a ansiedade! Se a olharmos, identificarmos aquilo que a gerou e conseguirmos esperar que ela passe já será uma conquista e tanto. Com isso vamos aprendendo que não é necessário esperarmos ela não mais existir para sermos felizes e realizados.

Nesse mundo onde impera a disputa, o aumento da produtividade, e que as pessoas são avaliadas mais pelo seu rendimento do que pela presença naquilo que fazem, falar de ansiedade se tornou sinônimo de falar de fraqueza e incompetência, mas isso não condiz com a realidade. Será que dar conta do recado é viver em desespero e angustiado, enchendo a agenda de compromissos, tentando atingir metas inalcançáveis e conseguindo, no máximo, uma gastrite nervosa, ou será que vai além disso?

Acredito que lidar com ansiedade seja um trabalho contínuo, diário, incessante e por vezes cansativo. É autoconhecimento, é olhar para você mesmo e entender seus processos, observar quais tipos de pensamentos são gatilhos para crises e aceitá-los, com amor e paciência, e transformá-los; é sair das crises de cabeça erguida e saber que você, sem dúvidas, dá conta do recado. Saber que você agora está mais forte e que uma emoção não vai ser capaz de te destruir se você aprender a lidar com ela. Vamos falar sobre ansiedade….

Carolina Sáber

 

SOBRE FEMINISMO E FEMININO

 

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Vivemos em tempos de rótulos, muitos rótulos. E dentro desse universo que dá nome a tudo, sou feminista. Sou feminista porque acredito na importância de TODOS terem os mesmos direitos, independente do gênero (e da raça, da orientação sexual, da crença religiosa).

Não considero mulheres superiores aos homens – isso é femismo. Não considero mulheres iguais aos homens – isso seria negar nossas singularidades biológicas, físicas e emocionais. Mas sinto a necessidade de vivermos em harmonia num ambiente onde, respeitadas as diferenças, todos tenham as mesmas possibilidades.

Já critiquei o movimento feminista por não ter conhecimento do que realmente se tratava. Infelizmente, existem mulheres que, sob a bandeira do feminismo, pregam o ódio aos homens, são extremistas e distorcem o conceito base do movimento que é a igualdade entre os gêneros.

Não podemos ignorar que, nas últimas décadas, o feminismo criou um o espaço super importante para que pudéssemos repensar nossa condição e falar sobre isso. Valorizo muito tudo o que foi conquistado desde Simone de Beauvoir até Jout Jout.

Preciso abrir um parêntese aqui, para você que não faz ideia de quem sejam essas mulheres:

Simone de Beauvoir, filósofa francesa, publicou em 1949, O Segundo Sexo, primeiro grande e detalhado ensaio sobre a condição da mulher. Apesar de Simone não ser feminista à época, o livro se tornou o mais importante trabalho de reflexão filosófica e sociológica sobre a mulher e ajudou a traçar os caminhos do feminismo a partir de então. O livro é uma análise sobre a hierarquia dos sexos e a opressão da mulher em termos biológicos, históricos, sociais e políticos.

Jout Jout é Julia Tolezano, jornalista brasileira de Niteroi/RJ, 23 anos, criadora do canal do youtube Jout Jout, Prazer. Um dos seus vídeos, NÃO TIRA O BATOM VERMELHO, atingiu 300 mil views no ano passado. No vídeo, Jout Jout fala sobre como identificar relacionamentos abusivos.

Mas, de qualquer forma, é necessário tomar cuidado com os estereótipos e as generalizações. Entendo que num contexto histórico e social,o homem é opressor e nós, mulheres, oprimidas.  Fazemos parte de uma sociedade patriarcal que enaltece o masculino e desvaloriza o feminino e eu já presenciei e vivi situações que demonstram essa desigualdade.

Sabemos que muitas mulheres sofreram, e ainda sofrem, todo tipo de abuso em virtude do machismo. Sabemos que o machismo está profundamente enraizado na nossa sociedade e que ainda há um caminho (que espero, seja curto) a ser percorrido para alterar essa realidade.

Mas eu ainda me incomodo com o discurso que desqualifica e culpabiliza o homem ou a mulher, de forma generalizada e automática, sem levar em consideração as peculiaridades de cada situação.  Homens são capazes de atrocidades. Mulheres são capazes de atrocidades. Homens são capazes de gestos nobres. Mulheres são capazes de gestos nobres. Não é o gênero que determina quem somos, mas nossa consciência.

E quando falamos de consciência, é importante lembrar que somos constituídos de energia. E que dentro de todos nós, homens e mulheres, há energia masculina e energia feminina. E que o equilíbrio entre essas energias é muito importante para a nossa saúde emocional.

Quando em desequilíbrio, esses princípios (masculino e feminino) se distorcem.

A energia feminina distorcida transforma a capacidade de receber, acolher, nutrir, intuir, entender,  em vitimismo, submissão, passividade. A energia masculina distorcida transforma a capacidade de ação em agressividade, em violência.

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Yin e Yang são conceitos do taoismo que representam a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, noite, lua, absorção, intuição. O yang é o princípio masculino, sol, dia, a luz e atividade.

Num mundo ideal, haveria equilíbrio entre as energias masculina/feminina. Num mundo ideal, os homens não se sentiriam protegidos e fortalecidos por um sistema que pisoteia o poder feminino. Num mundo ideal haveria amor e respeito de todas as formas.

Mas, no nosso mundo real, percebemos a carência da energia feminina, assistimos ao embrutecimento das relações humanas, baseadas essencialmente em características masculinas: a força, a disputa, a autoridade. Sentimos falta de colo, de acolhimento, de entendimento.

O papel da mulher na sociedade é alvo de atenção já há muito tempo. Mas, ainda hoje, há a crença de que as mulheres devem priorizar sua energia masculina para ascender profissionalmente, para enfrentar o mercado, para lutar pelos seus direitos. Acredita-se que ser feminina é ser frágil, vulnerável, meiga, doce e, consequentemente, sem perfil para certas profissões ou cargos.

Por tudo isso, a mulher foi abrindo mão da sua energia feminina para se equiparar ao homem.

Estamos sentindo as conseqüências desse processo. O mundo está carente da alma feminina, da energia feminina, do princípio feminino.

Todo esse desequilíbrio que vemos fora, reflete o que existe dentro de nós. A negação do feminino nos homens e nas mulheres.

E o que podemos fazer?

Começamos mudando aquilo que está ao nosso alcance: nós mesmas. Iniciamos o resgate do feminino em nós, do nosso poder de receber, acolher, gerar, nutrir e usar da nossa intuição.

Como?

Um caminho é fortalecer as relações entre nós, mulheres. Compartilhar nossas dores, nossos medos, nossa vida. Relembrar que um dia vivemos numa sociedade matriarcal, que valorizou nossos saberes, nosso corpo, nossa capacidade de curar a nós mesmas e aos outros.

É fácil?

Não! Mas é possível. E precisamos começar. É isso que eu procuro fazer quando escrevo. Geralmente, a criatividade nos conecta com a energia feminina – a arte, o artesanato, a dança, a música, a culinária. E o silêncio, a contemplação, o contato com a natureza. Não existe fórmula, procure por aquilo que te traga alegria, contentamento, gratidão. Ouça o seu coração e você saberá que está no caminho, sua alma será alimentada e te guiará.

Eu te convido a tentar.

E te convido a compartilhar suas experiências com o feminismo e com o feminino aqui. Conte pra nós como você se sente em relação a tudo isso.

Com amor,

Marília Lopes

P.S: se você, como eu, também não entende bem os termos utilizados pelo movimento feminista, dê uma olhada nesse quadro. Achei bem explicadinho:

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AHIMSA, A NÃO VIOLÊNCIA

 

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Ahimsa (pronuncia-se arrimssa) é um dos yamas, o primeiro passo da Yoga, como escrevi aqui na semana passada. A palavra sânscrita significa não violência e é a base do sistema ético proposto pelo filósofo Patanjali.

Quando falamos em não violência podemos pensar em passividade e naqueles sapos enormes que engolimos a seco para manter a paz e evitar o conflito.

Não se trata disso, absolutamente. Passividade é a incapacidade de assumir as próprias escolhas, de se posicionar diante da vida. Não violência é a capacidade de não ferir, não causar dano, não provocar sofrimento .

Quando assumimos a não violência, abrimos mão da guerra pessoal, das disputas de poder, aprendemos a nos relacionar a partir do amor.

VIOLÊNCIA X AGRESSIVIDADE

A agressividade faz parte do ser humano. Há em todos nós um dispositivo de agressividade. Historicamente falando, utilizamos muito esse dispositivo na busca de alimentos e na proteção para não nos tornarmos alimento.

Agressividade tem a ver com ação. Ela nos impulsiona a caminhar, a ir ao encontro, em direção ao que queremos. É, de certa forma, necessária para a evolução da nossa espécie.

Violência tem a ver com reação e, geralmente, está relacionada com fatores externos, a fatos passados (e reprimidos) ou presentes.

Violência = violar o direito do outro.

Quando vivemos a não violência assumimos compromisso de não gerar sofrimento a qualquer ser vivo, inclusive nós mesmos.

Uma boa forma de manifestar a não violência no nosso dia-a-dia é através da comunicação assertiva.

ASSERTIVIDADE

A assertividade é o ponto intermediário entre dois comportamentos opostos: a agressividade e a passividade.

A pessoa assertiva não ofende nem desrespeita, mas também não se submete à vontade de outras pessoas; em contrapartida, exprime as suas convicções e defende os seus direitos.

A assertividade supõe expressões conscientes, diretas, claras e equilibradas, com o objetivo de comunicar as nossas ideias e os nossos sentimentos ou defender os nossos legítimos direitos sem a intenção de ofender. Por isso, quem age com base na assertividade, faz com autoconfiança e não com emoções relacionadas a ansiedade ou a raiva, por exemplo.

Ser assertivo é saber dizer SIM quando quer dizer sim e, principalmente, dizer NÃO quando quer dizer não. É manifestar a sua verdade sem agredir o outro, sem VIOLAR o direito que o outro tem de ser o que quiser ser.

A mim cabe afirmar o que eu sinto, quais são as minhas intenções – isso é assertividade. Quando emito julgamento sobre a postura do outro estou exercendo agressividade, violência.

Ahimsa, a não violência, pode se manifestar através da nossa fala, dos nossos pensamentos, das nossas intenções e das nossas ações.

Mahatma Gandhi é a grande personificação de ahimsa. Ele dedicou sua vida a não violência e à verdade e conseguiu a libertação da Índia do poderio inglês sem a utilização de armas ou qualquer ação violenta. Todo o movimento de independência do país aconteceu a partir da não-cooperação e da desobediência civil com greves, atos públicos e marchas persistentes de repúdio à lei do colonizador.

Profile view of Indian political and religious leader and pacificist Mohandas Gandhi (1869 - 1948) as he gestures during a speech, mid 1940s. (Photo by FPG/Getty images)

E você, como tenta praticar esse yama? Quais são seus maiores desafios para viver ahimsa?

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA? | YAMAS

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Você se lembra que no texto da semana passada, eu falei que Yoga é um sistema óctuplo? Se não leu ou quiser reler, clique aqui.

Então, hoje vamos falar da sua primeira parte, os Yamas, as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual.

Yoga é uma forma de estar no mundo, uma forma de viver. Não é religião, apesar de também significar “religação”, “união”. Poderíamos dizer que Yoga é uma filosofia de vida, um caminho para a integração de corpo, mente e espírito.

Dentro dessa filosofia, os yamas representam a conduta ética no relacionamento exterior e significam controle ou domínio. É o pontapé inicial daqueles que almejam se tornar um yogini, um praticante. Os yamas trazem cinco proscrições éticas:

  1. Ahinsa – a não violência
  2. Satya – não mentir
  3. Asteya – não se apropriar das coisas alheias
  4. Brahmacharya– não desvirtuar a sexualidade
  5. Aparigraha– não apegar-se

 

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Yamas = ética no relacionamento com o mundo

O praticante, observando e praticando em sua vida esses valores, estará contribuindo para o desenvolvimento da generosidade e do respeito do si mesmo e por todos os seres.

Se você quer se aprofundar na Yoga, é importante ter em mente que existimos em vários níveis. Existimos e nos manifestamos no Universo através de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, dos nossos sentidos e do nosso corpo físico.

Enquanto existimos, convivemos e estamos o tempo todo trocando energia com outras pessoas, com os ambientes que frequentamos, com a natureza. Recebemos a energia de tudo com o que entramos em contato e devolvemos essa energia de alguma forma, através do que somos. E somos o que fazemos, o que dizemos, o que sentimos e o que pensamos.

Daí surge a necessidade de que, antes de caminhar rumo à meta do Yoga, que é o estado de iluminação exaltado pelo samadhi, façamos um bom estágio na fase preliminar. Quando exercitamos a ética da Yoga, através dos yamas, controlamos amorosamente a nossa forma de estar no mundo e cuidamos da energia que emanamos.

Ghandi dizia que as mudanças que queremos no mundo, devem começar com a gente. Alterar a nossa forma de conviver, de nos relacionar, é uma boa forma de iniciar essas mudanças.

Na próxima semana, falaremos sobre cada um dos Yamas.

Com amor,

Marília Lopes

VÍDEO: AS BENZEDEIRAS DE MINAS | Co.madre

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Fé. O documentário AS BENZEDEIRAS DE MINAS fala de fé. Fé na oração de mulheres simples, que rezam pedindo a Deus a cura de todos os males.

O  vídeo de 25 minutos faz parte do Co.madre, um acervo audiovisual sobre mulheres, que valoriza os conhecimentos, a memória, a ancestralidade, a identidade, o envolvimento comunitário e a cultura.

A construção desse acervo busca evidenciar a força das mulheres na história de seus povos, contribuindo para a redução de diversas formas de opressão, discriminação e preconceitos que atingem mulheres ibero-americanas.

Co.madre nasceu de uma parceria entre o Coletivo Etinerâncias, nove colaborador@s de países da Iberoamérica e mulheres da comunidade de San Basílio de Palenque, durante o III LabiCco – Laboratório Ibero-Americano de Inovação Cidadã, em Cartagena (Colômbia), de 9 a 23 de outubro de 2016.

Eu cresci acreditando na força da oração, no poder das palavras e das intenções. Na minha família, o benzimento é tradição. Benzia-se contra quebranto, benzia-se criança desconfiada, cortava-se o medo de andar.

O documentário me lembrou das muitas benzedeiras que já visitei. Senti o cheiro da arruda, o gosto da cinza na água, o sopro das orações sussurradas e o medo das mãos enrugadas a desenhar o sinal da cruz.

Vale a pena assistir este e os outros documentários disponíveis na plataforma.

E você, já se benzeu? Já recorreu a alguma benzedeira? Compartilhe sua experiência conosco aí nos comentários, ou simplesmente cite o nome das mulheres rezadeiras, curandeiras que você conhece.

Com amor,

Marilia Lopes

 

 

CASADA E FELIZ, POR QUE NÃO?

 

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Sou casada há 21 anos. O “status” casada não faz de mim uma mulher submissa, frustrada ou infeliz. Muito pelo contrário.

Não fui criada para ser princesa. Não brinquei só de boneca ou de casinha na minha infância. Convivi com três irmãos que, apesar de mais novos, me ensinaram muito sobre o universo masculino. Vivia brincando na rua de pé no chão e usava cabelo joãozinho – com sete filhos, praticidade era a palavra de ordem da minha casa.

Eu fui criada para ser uma pessoa digna, pra respeitar o próximo, não fazer pro outro o que não quero que façam pra mim, para correr atrás dos meus sonhos, pra resolver meus problemas sozinha,  dar conta de mim. Sempre fui estimulada a ser independente. O ambiente em que cresci somado à minha personalidade fez de mim a mulher que eu sou.

Comecei a trabalhar quando tinha 13 anos para ajudar nas despesas da minha família, que eram enormes. Nunca fiquei sentada esperando a sorte chegar. Corri atrás do que eu queria desde muito cedo.

E o fato de ser uma mulher forte, autoresponsável, proativa não me impediu de casar e ser feliz assim, dividindo a minha vida com alguém.

Não vivo para limpar a casa, lavar pratos ou dedicar 100% do meu tempo aos meus filhos. Mas adoro cozinhar e ter minha família reunida em volta da mesa. Gosto da minha casa limpa e não vejo nenhum problema e dar uma boa faxina quando necessário. Não faço isso sempre, tenho o privilégio de ter alguém pra me ajudar, mas sei fazer e não me sinto diminuída por isso.

Ser casada não define quem eu sou

Ser casada não faz de mim uma mulher chata, que vive em função do marido, não me faz esperar que ele a abra porta do carro ou puxe a cadeira, apesar de não ver nenhum problema nessas gentilezas.

Sei pregar botão e sei indicar costureiras incríveis. Sei fazer o melhor almoço de domingo e posso dividir a conta do restaurante impecável.

Aprendi  muito cedo a cuidar do espaço que ocupo. Sei cuidar de mim, da minha casa. Gosto de cuidar da minha família e de ser cuidada por eles.  Mas meu repertório não se resume a marido, filhos e casa. Sei falar de política, arte, filosofia, vinhos e viagens.

Nunca sonhei com anel ou vestido branco e não espero presentes do meu marido (na verdade já faz tempo que não espero nada de ninguém), mas não me importo nem um pouco em ser presenteada, lembrada, reconhecida e amada.

Não fui criada para casar. Fui criada para ser feliz. Mas, casei. E isso não faz de mim uma mulher que se encaixa no conceito “bela, recatada e do lar”. Considero cruel esse estigma, criado pela indústria de entretenimento, que faz das mulheres casadas vilãs, chatas e frustradas e das solteiras e das amantes as mocinhas descoladas e gente boa.

Vamos combinar que cuidar ou não da casa, saber ou não cozinhar, sonhar ou não com o casamento dos contos de fada é completamente indiferente quando se trata de amor. Isso tem muito mais a ver com grana. A independência que isso tudo representa é a financeira, não a afetiva.

Essa conversa sobre como a mulher DEVE SER tornou-se muito cansativa.

Essa classificação de mulheres: casada, solteira, feminina, feminista está muito chata. O que importa se sou casada, solteira, se gosto de homens ou de mulheres, se me intitulo feminista ou não?

Vamos olhar além disso tudo, vamos pensar fora da caixinha, vamos abrir mão dos rótulos?

Sou mulher. Faço minhas escolhas e respondo por elas. Ponto final.

E você, é feliz com as escolhas que fez?

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA?

 

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Quando se fala em Yoga, geralmente pensamos em alguém de ponta-cabeça, com o corpo torcido ou em alguma posição estranha. Essa é a visão ocidental de uma ciência nascida na Índia há mais de cinco mil anos.

Essas posições corporais são os asanas, palavra sânscrita que significa posturas. O asana é apenas uma parte da Yoga e a mais conhecida aqui no ocidente. Mas a Yoga abrange muito mais que movimentos físicos.   É um caminho óctuplo para integração de corpo, mente e espírito, para o qual todas as suas partes são muito importantes.

Patanjali, filósofo indiano que viveu provavelmente no século VI a.c., descreveu cada um dos oito passos da Yoga em sua obra Yoga-Sutras, considerada o texto mais antigo sobre o assunto.

Sutra, em sânscrito, significa linha, corrente que segura coisas. Yoga-Sutras seria como um varal contendo frases, aforismos sobre Yoga.

OS OITO PASSOS  DA YOGA, segundo Patanjali

Yamas – representa as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual

Nyamas – disciplina interna, autocontrole

Asanas – posturas

Pranayamas – controle da respiração

Pratyahara – abstração dos sentidos

Dharana – concentração focada em uma única direção, elevado grau de inibição sensorial e desaceleração do pensamento

Dhyana – meditação, continuação de dharana

Samadhi – integração, êxtase, libertação por meio da completa transmutação da consciência. Sensação de fusão com o Universo e com o Absoluto

 

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O objetivo maior da Yoga é a cessação das ondas mentais. É permitir que o praticante entre em estado de meditação e alcance a integração, samadhi. Para isso é necessária a observação de todas as etapas descritas pelo filósofo.

Um professor muito querido, José Antônio Fila,  dizia que Yoga é uma forma de estar no mundo e vai muito além do que fazemos no tapetinho.

O SEGREDO DA SABEDORIA

Uma historinha que o professor Marcos Rojo conta em suas aulas representa muito bem esta forma de estar feliz no mundo, que a Yoga preconiza:

Era uma vez um jovem que vai até o palácio de um Marajá (que naquela época era apenas um sábio) e pergunta a ele qual é a fórmula da sabedoria, como é que se deve vier para que se adquira sabedoria.

O Marajá, ao invés de responder, propõe um desafio ao jovem: “Vou encher uma colher de azeite e você vai percorrer todos os cantos deste palácio sem derramar uma gota de azeite sequer”.

O Jovem sai com a colher na mão, andando com passos pequenos, olhando fixamente para a colher e segurando com tanta força que ficou cansado. Ao voltar, orgulhoso de ter conseguido, mostra a colher para o Marajá, que pergunta se ele viu os belíssimos quadros que estão nas paredes do palácio, se ele viu os jardins e as piscinas maravilhosas que estavam pelo caminho. Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não, e o Marajá disse: “Dessa forma, você nunca encontrará sabedoria. Vivendo só para cumprir suas obrigações, sem usufruir as maravilhas do mundo, você nunca será um sábio.”

Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas que dessa vez observasse tudo pelo caminho. E lá vai o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esquece a colher e passa a observar os quadros, os jardins, os pássaros, etc.

Ao voltar, o Marajá pergunta se ele viu tudo e o jovem extasiado diz que sim. O Marajá pede que ele mostre a colher e percebem que todo o conteúdo foi derramado pelo caminho.

Então o Marajá diz: “O segredo para encontrar a sabedoria é descobrir uma forma de cumprir suas obrigações sem perder a alegria de viver, a capacidade de se encantar com o que a vida te oferece”.

Isso é Yoga. O exercício concentrado dos valores, das atitudes. Yoga é presença, é consciência. É a alegria de desfrutar do nosso corpo, da nossa mente, de tudo que nos é oferecido pela vida.

A cada semana, trarei pra vocês um pouquinho dessa ciência, dessa filosofia, dessa forma de viver.

Com muito amor,

Marília Lopes

VIVENDO COM ARTRITE REUMATOIDE

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Faz 19 anos que vivo com artrite reumatoide. E vivo muito bem, obrigada. Uma crise aqui, outra acolá e a vida segue, até porque a vida é muito mais que isso.

Em 1997, quando eu tinha 25 anos e acabava de dar à luz meu segundo filho, recebi o diagnóstico de artrite reumatoide. Doença crônica, autoimune, sem cura, ataca articulações, causa deformidades, limita movimentos, compromete fígado, pulmão, olhos.  Algo bem assustador em qualquer época da vida, mas quando você tem 25 anos, uma filha de dois anos e um bebê recém-nascido, é apavorante.

Senti medo, revolta, perguntei por que comigo, deprimi, resisti, sofri. Foi uma fase difícil. Uma fase longa e difícil que passou, como tudo passa.  Você já ouviu dizer que a dor é inevitável e o sofrimento é opcional? Posso afirmar que é assim mesmo. Optei por não sofrer, por não deixar que a doença se tornasse o centro do meu universo.

O sofrimento se foi e a dor ficou, é minha companheira há 19 anos e fui aprendendo a lidar com ela.Ela passa algum tempo sem dar a caras e de repente chega chegando. Aí a gente conversa, tenta se entender. Eu pergunto o que ela veio me trazer, ela  às vezes responde aos gritos, às vezes com sussurros ou simplesmente se cala. Eu a observo, sinto como ela quer ser tratada, peço ajuda quando não dou conta de hospedá-la sozinha. A gente vai convivendo, até que ela se vai, sem data marcada para voltar.

A dor acabou se tornando uma mestra, uma guia. Foi ela quem me conduziu ao caminho do autoconhecimento, foi ela quem me estimulou a me olhar, ir mais fundo, conhecer os padrões, as crenças e os condicionamentos que orientam meus pensamentos, minha forma de viver, minhas escolhas.

O cuidado que tenho com o meu corpo também devo a ela. Vivo em movimento. Não permito que a rigidez e a fadiga, que em conjunto com a dor formam o tripé da artrite, me paralisem. A atividade física é fundamental para me manter estável, equilibrada e forte. Preciso de força muscular para amparar as articulações debilitadas.

Tomo medicação sistematicamente desde que fui diagnosticada. Pra contrabalancear, cuido com carinho da minha alimentação.  A dobradinha atividade física+alimentação equilibrada é vital pra manter meu corpo bem.

Como tive a felicidade de encontrar bons médicos e iniciar o tratamento logo que a doença foi diagnosticada, tenho poucas lesões articulares e praticamente nenhuma limitação.

E tão importante quanto cuidar do corpo físico, aprendi nesses anos que é preciso cuidar do corpo mental, emocional e espiritual. Somos um ser integral e, geralmente, o físico serve para sinalizar o que não vai bem em outros níveis. Daí a importância de se conhecer, de se observar, de ir além do analgésico, que pode apenas estar afastando de você um mensageiro valioso.

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As pausas necessárias

Nas crises, como a que vivo no momento, sinto dor, acentuam-se rigidez e fadiga. Nessas fases, faço adaptações, deixo as atividades de impacto fora da minha rotina,  diminuo o ritmo, entro em “stand by”.

Como a natureza, que alterna  ciclos de expansão e de contração, nós também temos nossos períodos de introspecção e de extroversão, de aceleração e repouso. A artrite me ensinou a respeitar essa necessidade que tenho de me recolher, de dar pausas, de descansar. Até ela aparecer, nada me segurava, vivia numa ansiedade sem fim, pensando o tempo todo no que precisava fazer depois.

A calma e a tranquilidade que encontrei, a serenidade com que tento encarar a vida, a habilidade que desenvolvi de respirar e relaxar mesmo quando o mundo ao meu redor parece desmoronar, foi conquistada num longo processo que teve início com a minha indignação em ser portadora dessa doença.

Infelizmente eu precisei da artrite reumatoide, um gatilho doloroso para aprender a viver um momento de cada vez,  mas nem todos precisam.

Se você se percebe ansiosa, preocupada, pensando demais, cansada, acelerada, PARE. Olhe com amor pra você, desacelere, se dê momentos de silêncio, fique sem fazer nada, entre em contato com a natureza, respire. A pausa é fundamental para a nossa saúde física, mental e emocional.

Se você quer entender melhor o que é a artrite reumatoide, clique aqui.

Com amor,

Marília Lopes