SOU PERFEITA SEM MODELADOR

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Hoje me deparei com uma propaganda de lingerie no Facebook. Uma foto de uma mulher magra vestindo apenas um modelador e a frase: VOCÊ PERFEITA.

Me peguei pensando sobre o assunto: o que é ser perfeita? um modelador teria a capacidade de me APERFEIÇOAR ou apenas de ESCONDER o que considero imperfeição?

Existe perfeição? Ou existe um padrão criado sei lá por quem e uma indústria tentando, o tempo todo, nos convencer de que precisamos nos encaixar.

Eu não quero participar dessa brincadeira de entrar no quadrado. Escolho me aceitar e olhar com muito amor para o que eu sou, para o corpo que eu tenho.

Eu escolho ver a perfeição que há em mim.

Eu sou perfeita com ou sem modelador.

Sou perfeita do jeito que sou. Sou perfeita com celulite, pneuzinhos e flacidez.

Eu sou perfeita quando acordo, quando saio do banho, com os cabelos molhados, despenteados ou suados.

Eu sou perfeita maquiada ou de cara lavada, produzida ou de pijama.

Carrego neste corpo 43 anos de história e muitas marcas. Tenho um orgulho imenso de cada registro que ele contem.

Se meus pés falassem, eles contariam que sofri uma queda aos quatorze anos e tive uma luxação mal cuidada no pé esquerdo. Eles falariam sobre uma artrite reumatóide que chegou na minha vida cedo demais, atacou severamente um tornozelo e vem me ensinando, com muita dor, a importância de me flexibilizar. Mas esses pés falariam também de SUPERAÇÃO. Falariam de uma peregrinação de 170 km a pé até Aparecida. Falariam do sonho realizado de correr e falariam de como cada passo foi importante pra me trazer até onde estou.

Minha barriga, muito longe de ser um tanquinho, contaria a história mais importante de todas: a de dois seres lindos que ali, nas suas entranhas, foram gerados. Ela traz, além da marca das cesáreas, a marca do amor e do medo que nasceram junto com meus filhos. Ela fala sobre emoção, aceitação, acolhimento, ansiedade e alívio. É ali que estão guardadas as minhas melhores memórias.

Meus seios —bem diferentes do eram antes de alimentar meus bebês — discorreriam sobre o tempo que doei e as rachaduras nas primeiras mamadas. Sobre o toque das mãozinhas nos meus cabelos e as noites sem dormir. Sobre cansaço, quilos perdidos e roupas cheirando a leite. Mas deles você ouviria também lindas histórias sobre o mar de carinho em que eu mergulhava cada vez que me entregava à amamentação e sobre os olhares mais amorosos e sinceros que recebi em minha vida.

Meus punhos falariam da minha teimosia e arrogância que resultaram em lesões articulares irreversíveis porque, em algum momento, resolvi não mais me medicar. Esses punhos relatariam meses de depressão e dor, mas gritariam muito alto: ISSO TAMBÉM PASSOU!

E os ombros? esses carregaram por muito tempo o peso da responsabilidade excessiva e da necessidade de controle. E de tanto esforço, de tanto acreditar que precisavam carregar o mundo, eles cederam, quebraram. Mas eles também me ensinaram o valor das parcerias, o quanto é bom ter com quem contar, dividir, e como a vida foi generosa me oferecendo muitos irmão, amigos e um companheiro incrível.

Meus cabelos, com seus primeiros fios brancos, sussurram nos meus ouvidos que o tempo está passando, mas que não é a idade cronológica que importa, que o que vale mesmo é COMO MINHA ALMA ESCOLHE VIVER.

Minha face fala muito de mim. As linhas de expressão entregam que passei muito tempo “PRÉ-OCUPADA”, acreditando que tudo estava nas minhas mãos e dependiam só de mim pra funcionar bem. Custou pra eu aprender a soltar, a entender que existe uma força superior que rege tudo e que a mim basta viver um momento de cada vez e confiar que tudo é exatamente como deveria ser.

Nesse corpo imperfeito e cheio de memórias, pulsa a VIDA e a PERFEIÇÃO de tudo que foi necessário pra eu ser quem eu sou.

EU SOU PERFEITA SEM MODELADOR. Nada vai modelar minhas experiências ou disfarçar as marcas que elas deixaram em mim.

Com amor,
Marília Lopes

ONDE ESTÁ O SEU PODER?

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Eu estou exatamente onde os MEUS PÉS me trouxeram. Eu sou 100% responsável por quem eu sou e por tudo o que acontece comigo.

Tomar consciência disso foi uma das experiências mais libertadora que vivi. Quando deixei de culpar qualquer fator externo pelas adversidades e aprendi a assumir as conseqüências das minhas ações, palavras, pensamentos e até sentimentos, percebi que eu poderia transformar minha vida. E foi o que aconteceu.

Enquanto a culpa pelos nossos fracassos, pelo que nos causa decepção, dor, incômodo ou medo for do outro, do país em que vivemos, da família em que crescemos, dos professores ruins, da crise financeira, do chefe, ou de qualquer coisa que não NÓS MESMOS, não haverá estímulo para mudança. Se eu não sou responsável pela situação que vivo, não tenho como mudá-la. E espero que algo aconteça fora de mim para que eu fique bem, me vejo como uma pobre vítima das circunstâncias.

E quando agimos como vítimas, abrimos mão do poder de realizar, do poder de transformar. É muito comum entregarmos este poder para outras pessoas ou criarmos infinitas condições para exercê-lo: vou me cuidar “quando” tiver tempo, “quando” for feliz, serei feliz “se” me casar, “se” tiver um diploma, “se” tiver um corpo perfeito, “se” estiver no emprego dos sonhos.

Nesse círculo vicioso dificilmente seremos felizes. Ou decidimos parar, olhar pra dentro, viver o aqui e o agora, começar de onde estamos ou viveremos frustrados e na expectativa de dias melhores.

Quando saímos da energia de vítima para entrar na energia da autorresponsabilidade, retomamos o nosso poder, olhamos a vida por outra perspectiva, nos sentimos capazes de transformar a nós mesmos e o mundo ao nosso redor. É um desfio que vale a pena!

E você, quais condições impõe para a sua felicidade? Onde está colocando o seu poder?

Com amor,

Marilia Lopes

 

APENAS UM MINUTO

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Há alguns dias tive um sonho intrigante. Em meio a muita confusão uma frase ficou registrada: a quais valores quero ser fiel?

Passei dias pensando nisso. O que orienta minhas escolhas? O que levo em consideração ao traçar meus planos? Afinal, o que é importante para mim?

Esse sonho aconteceu num período em que eu estava meio relaxada comigo mesma comendo mal, sem tempo pra meditar, sem nenhuma prática energética, dormindo muito, de férias daquilo que alimenta minha alma.

Foi um daqueles puxões de orelha que recebemos da vida de vez em quando. E valeu! Porque me trouxe de volta, me lembrou o quanto eu estava distante do que me faz bem.

Pra mim é muito forte a relação entre me cuidar física/energeticamente e estar equilibrada, centrada.

Quando estou conectada comigo, me cuidando, é natural saber o que é importante, o que me orienta, o que realmente vale a pena.

E por que não estou sempre conectada? Por que nós não estamos sempre nos cuidando, observando o que nos faz bem?

Porque passamos os dias ligados no piloto automático, obedecendo inconscientemente a padrões e condicionamentos. Estamos, na maior parte do tempo, distraídos e consideramos isso normal. Já nos acostumamos a viver assim, sem olhar pra dentro, focados no mundo externo.

Vivemos encantados com os milhares de estímulos recebidos pelo nosso cérebro a cada minuto, com as sensações proporcionadas pelos nossos sentidos e com o que pensamos sobre tudo isso. Aí fica fácil se perder, esquecer quem realmente somos, sair do caminho, passar por cima do que é fundamental.

É nesse campo de inconsciência coletiva que o consumismo, as obsessões, as compulsões, a intolerância e mais um monte de reações indesejadas encontram espaço para crescer e se multiplicar.

Mas como sair desse caos, como estabelecer essa conexão interna?

Pare. Silencie. Observe.

Há milênios grandes mestres pregam a meditação, a pausa, o silêncio como remédio para as aflições humanas.

Você pode pensar: “Eu não consigo meditar. Sou muito ansiosa. Sou muito agitada. Essas coisas zens não combinam comigo.”

Você consegue. Todos conseguem, se quiserem.

O mestre espiritual brasileiro Sri Prem Baba lançou recentemente a campanha “Apenas 1 minuto”, uma forma de incentivar o cultivo do silêncio e a prática da meditação.

“Esse conhecimento e essa prática estão ao alcance do todos, independente da classe social, da religião, da nacionalidade. Um instante de silêncio é suficiente para transformar seu estado mental e emocional”, diz Prem Baba.

Se você parar por um minuto e simplesmente observar a sua respiração você já estará meditando, já terá iniciado o caminho de volta pra si mesmo.

E será nesse espaço entre suas atividades e seus pensamentos que emergirá pra consciência aquilo que realmente é importante, pra onde você deve canalizar a sua energia.

O filósofo e matemático francês Blaise Pascal dizia que “a única causa da infelicidade do homem é não saber como ficar quieto em seu quarto”. Estar quieto em seu mundo interno ainda é um desafio para o Ser Humano. Abrir mão do barulho mental, de tudo o que vem de fora e mergulhar no silêncio da meditação é um caminho para o autoconhecimento e para descobrir a quais valores você quer ser fiel.

Apenas um minuto. Comece. Tente. Você perceberá a diferença.

Com amor,

Marilia Lopes

 

UM SOM DIFERENTE POR DIA

Gratidão. Este será um tema muito recorrente por aqui, pode ter certeza.

Em fevereiro deste ano, fraturei meu ombro direito. Um tombo besta, um escorregão durante o banho e já era. Três semanas de tipóia. Sai corrida, musculação, pilates, bike e entra filmes, livros, música, muuuuuuuita chuva e um caminhar diário dentro de casa.

Foi muito ruim? Foi nada! Uma pausa necessária, oportunidade de fazer o que geralmente não faço, tempo de me dedicar a um monte de coisas que gosto e que deixo de lado no corre-corre do dia-a-dia. Só pra vocês saberem, a idéia deste blog nasceu durante aquele período. Viu como essa fratura rendeu?

Logo de cara me impus um desafio: 21 dias de tipóia? Um som diferente por dia, 21 cantores/bandas que nunca tive a curiosidade de ouvir e meus horizontes musicais ampliados. Uhuuul!!!

(Quando digo que nunca ouvi quero dizer que nunca parei pra ouvir. Já havia escutado uma música ou outra de alguns dos cantores que participaram da minha play list, mas durante o meu desafio, ouvi  com o coração)

No final, não consegui completar os 21, mas ouvi 18 cantores/bandas diferentes indicados pelos meus filhos, irmãos e amigos.

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Imagem Google

Vamos à lista do que rolou por aqui naqueles dias de repouso:

1. Frank Sinatra
2. Carla Bruni
3. Edith Piaf
4. Nina Simone
5. Ella Fitzgerald
6. Belle e Sebastian
7. Clarice Falcão
8. Tiago Iorc
9. Lynyrd Skynyrd
10. Julieta Venegas
11. Lana Del Rey
12. Liniker
13. Banda do Mar
14. Criolo
15. Danni Carlos
16. Amy Winehouse
17. Mallu Magalhães
18. Tiê

Gostei muito de todos, mas me apaixonei pela melodia da Carla Bruni. Desde então gosto de ler e escrever ouvindo suas músicas. Elas me acalmam e me ajudam a concentrar.

Ao Universo, minha gratidão pela queda, gratidão pelo repouso forçado e por tudo que veio com ele, gratidão por cada música que ouvi pela primeira vez e pelas sensações diversas que elas me trouxeram.

E você, quando foi a última vez que fez alguma coisa pela primeira vez? Compartilhe com a gente nos comentários.

Com amor,

Marilia Lopes

 

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