SOBRE FEMINISMO E FEMININO

 

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Vivemos em tempos de rótulos, muitos rótulos. E dentro desse universo que dá nome a tudo, sou feminista. Sou feminista porque acredito na importância de TODOS terem os mesmos direitos, independente do gênero (e da raça, da orientação sexual, da crença religiosa).

Não considero mulheres superiores aos homens – isso é femismo. Não considero mulheres iguais aos homens – isso seria negar nossas singularidades biológicas, físicas e emocionais. Mas sinto a necessidade de vivermos em harmonia num ambiente onde, respeitadas as diferenças, todos tenham as mesmas possibilidades.

Já critiquei o movimento feminista por não ter conhecimento do que realmente se tratava. Infelizmente, existem mulheres que, sob a bandeira do feminismo, pregam o ódio aos homens, são extremistas e distorcem o conceito base do movimento que é a igualdade entre os gêneros.

Não podemos ignorar que, nas últimas décadas, o feminismo criou um o espaço super importante para que pudéssemos repensar nossa condição e falar sobre isso. Valorizo muito tudo o que foi conquistado desde Simone de Beauvoir até Jout Jout.

Preciso abrir um parêntese aqui, para você que não faz ideia de quem sejam essas mulheres:

Simone de Beauvoir, filósofa francesa, publicou em 1949, O Segundo Sexo, primeiro grande e detalhado ensaio sobre a condição da mulher. Apesar de Simone não ser feminista à época, o livro se tornou o mais importante trabalho de reflexão filosófica e sociológica sobre a mulher e ajudou a traçar os caminhos do feminismo a partir de então. O livro é uma análise sobre a hierarquia dos sexos e a opressão da mulher em termos biológicos, históricos, sociais e políticos.

Jout Jout é Julia Tolezano, jornalista brasileira de Niteroi/RJ, 23 anos, criadora do canal do youtube Jout Jout, Prazer. Um dos seus vídeos, NÃO TIRA O BATOM VERMELHO, atingiu 300 mil views no ano passado. No vídeo, Jout Jout fala sobre como identificar relacionamentos abusivos.

Mas, de qualquer forma, é necessário tomar cuidado com os estereótipos e as generalizações. Entendo que num contexto histórico e social,o homem é opressor e nós, mulheres, oprimidas.  Fazemos parte de uma sociedade patriarcal que enaltece o masculino e desvaloriza o feminino e eu já presenciei e vivi situações que demonstram essa desigualdade.

Sabemos que muitas mulheres sofreram, e ainda sofrem, todo tipo de abuso em virtude do machismo. Sabemos que o machismo está profundamente enraizado na nossa sociedade e que ainda há um caminho (que espero, seja curto) a ser percorrido para alterar essa realidade.

Mas eu ainda me incomodo com o discurso que desqualifica e culpabiliza o homem ou a mulher, de forma generalizada e automática, sem levar em consideração as peculiaridades de cada situação.  Homens são capazes de atrocidades. Mulheres são capazes de atrocidades. Homens são capazes de gestos nobres. Mulheres são capazes de gestos nobres. Não é o gênero que determina quem somos, mas nossa consciência.

E quando falamos de consciência, é importante lembrar que somos constituídos de energia. E que dentro de todos nós, homens e mulheres, há energia masculina e energia feminina. E que o equilíbrio entre essas energias é muito importante para a nossa saúde emocional.

Quando em desequilíbrio, esses princípios (masculino e feminino) se distorcem.

A energia feminina distorcida transforma a capacidade de receber, acolher, nutrir, intuir, entender,  em vitimismo, submissão, passividade. A energia masculina distorcida transforma a capacidade de ação em agressividade, em violência.

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Yin e Yang são conceitos do taoismo que representam a dualidade de tudo que existe no universo. Descrevem as duas forças fundamentais opostas e complementares que se encontram em todas as coisas: o yin é o princípio feminino, noite, lua, absorção, intuição. O yang é o princípio masculino, sol, dia, a luz e atividade.

Num mundo ideal, haveria equilíbrio entre as energias masculina/feminina. Num mundo ideal, os homens não se sentiriam protegidos e fortalecidos por um sistema que pisoteia o poder feminino. Num mundo ideal haveria amor e respeito de todas as formas.

Mas, no nosso mundo real, percebemos a carência da energia feminina, assistimos ao embrutecimento das relações humanas, baseadas essencialmente em características masculinas: a força, a disputa, a autoridade. Sentimos falta de colo, de acolhimento, de entendimento.

O papel da mulher na sociedade é alvo de atenção já há muito tempo. Mas, ainda hoje, há a crença de que as mulheres devem priorizar sua energia masculina para ascender profissionalmente, para enfrentar o mercado, para lutar pelos seus direitos. Acredita-se que ser feminina é ser frágil, vulnerável, meiga, doce e, consequentemente, sem perfil para certas profissões ou cargos.

Por tudo isso, a mulher foi abrindo mão da sua energia feminina para se equiparar ao homem.

Estamos sentindo as conseqüências desse processo. O mundo está carente da alma feminina, da energia feminina, do princípio feminino.

Todo esse desequilíbrio que vemos fora, reflete o que existe dentro de nós. A negação do feminino nos homens e nas mulheres.

E o que podemos fazer?

Começamos mudando aquilo que está ao nosso alcance: nós mesmas. Iniciamos o resgate do feminino em nós, do nosso poder de receber, acolher, gerar, nutrir e usar da nossa intuição.

Como?

Um caminho é fortalecer as relações entre nós, mulheres. Compartilhar nossas dores, nossos medos, nossa vida. Relembrar que um dia vivemos numa sociedade matriarcal, que valorizou nossos saberes, nosso corpo, nossa capacidade de curar a nós mesmas e aos outros.

É fácil?

Não! Mas é possível. E precisamos começar. É isso que eu procuro fazer quando escrevo. Geralmente, a criatividade nos conecta com a energia feminina – a arte, o artesanato, a dança, a música, a culinária. E o silêncio, a contemplação, o contato com a natureza. Não existe fórmula, procure por aquilo que te traga alegria, contentamento, gratidão. Ouça o seu coração e você saberá que está no caminho, sua alma será alimentada e te guiará.

Eu te convido a tentar.

E te convido a compartilhar suas experiências com o feminismo e com o feminino aqui. Conte pra nós como você se sente em relação a tudo isso.

Com amor,

Marília Lopes

P.S: se você, como eu, também não entende bem os termos utilizados pelo movimento feminista, dê uma olhada nesse quadro. Achei bem explicadinho:

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AHIMSA, A NÃO VIOLÊNCIA

 

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Ahimsa (pronuncia-se arrimssa) é um dos yamas, o primeiro passo da Yoga, como escrevi aqui na semana passada. A palavra sânscrita significa não violência e é a base do sistema ético proposto pelo filósofo Patanjali.

Quando falamos em não violência podemos pensar em passividade e naqueles sapos enormes que engolimos a seco para manter a paz e evitar o conflito.

Não se trata disso, absolutamente. Passividade é a incapacidade de assumir as próprias escolhas, de se posicionar diante da vida. Não violência é a capacidade de não ferir, não causar dano, não provocar sofrimento .

Quando assumimos a não violência, abrimos mão da guerra pessoal, das disputas de poder, aprendemos a nos relacionar a partir do amor.

VIOLÊNCIA X AGRESSIVIDADE

A agressividade faz parte do ser humano. Há em todos nós um dispositivo de agressividade. Historicamente falando, utilizamos muito esse dispositivo na busca de alimentos e na proteção para não nos tornarmos alimento.

Agressividade tem a ver com ação. Ela nos impulsiona a caminhar, a ir ao encontro, em direção ao que queremos. É, de certa forma, necessária para a evolução da nossa espécie.

Violência tem a ver com reação e, geralmente, está relacionada com fatores externos, a fatos passados (e reprimidos) ou presentes.

Violência = violar o direito do outro.

Quando vivemos a não violência assumimos compromisso de não gerar sofrimento a qualquer ser vivo, inclusive nós mesmos.

Uma boa forma de manifestar a não violência no nosso dia-a-dia é através da comunicação assertiva.

ASSERTIVIDADE

A assertividade é o ponto intermediário entre dois comportamentos opostos: a agressividade e a passividade.

A pessoa assertiva não ofende nem desrespeita, mas também não se submete à vontade de outras pessoas; em contrapartida, exprime as suas convicções e defende os seus direitos.

A assertividade supõe expressões conscientes, diretas, claras e equilibradas, com o objetivo de comunicar as nossas ideias e os nossos sentimentos ou defender os nossos legítimos direitos sem a intenção de ofender. Por isso, quem age com base na assertividade, faz com autoconfiança e não com emoções relacionadas a ansiedade ou a raiva, por exemplo.

Ser assertivo é saber dizer SIM quando quer dizer sim e, principalmente, dizer NÃO quando quer dizer não. É manifestar a sua verdade sem agredir o outro, sem VIOLAR o direito que o outro tem de ser o que quiser ser.

A mim cabe afirmar o que eu sinto, quais são as minhas intenções – isso é assertividade. Quando emito julgamento sobre a postura do outro estou exercendo agressividade, violência.

Ahimsa, a não violência, pode se manifestar através da nossa fala, dos nossos pensamentos, das nossas intenções e das nossas ações.

Mahatma Gandhi é a grande personificação de ahimsa. Ele dedicou sua vida a não violência e à verdade e conseguiu a libertação da Índia do poderio inglês sem a utilização de armas ou qualquer ação violenta. Todo o movimento de independência do país aconteceu a partir da não-cooperação e da desobediência civil com greves, atos públicos e marchas persistentes de repúdio à lei do colonizador.

Profile view of Indian political and religious leader and pacificist Mohandas Gandhi (1869 - 1948) as he gestures during a speech, mid 1940s. (Photo by FPG/Getty images)

E você, como tenta praticar esse yama? Quais são seus maiores desafios para viver ahimsa?

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA? | YAMAS

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Você se lembra que no texto da semana passada, eu falei que Yoga é um sistema óctuplo? Se não leu ou quiser reler, clique aqui.

Então, hoje vamos falar da sua primeira parte, os Yamas, as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual.

Yoga é uma forma de estar no mundo, uma forma de viver. Não é religião, apesar de também significar “religação”, “união”. Poderíamos dizer que Yoga é uma filosofia de vida, um caminho para a integração de corpo, mente e espírito.

Dentro dessa filosofia, os yamas representam a conduta ética no relacionamento exterior e significam controle ou domínio. É o pontapé inicial daqueles que almejam se tornar um yogini, um praticante. Os yamas trazem cinco proscrições éticas:

  1. Ahinsa – a não violência
  2. Satya – não mentir
  3. Asteya – não se apropriar das coisas alheias
  4. Brahmacharya– não desvirtuar a sexualidade
  5. Aparigraha– não apegar-se

 

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Yamas = ética no relacionamento com o mundo

O praticante, observando e praticando em sua vida esses valores, estará contribuindo para o desenvolvimento da generosidade e do respeito do si mesmo e por todos os seres.

Se você quer se aprofundar na Yoga, é importante ter em mente que existimos em vários níveis. Existimos e nos manifestamos no Universo através de nossos pensamentos, de nossos sentimentos, dos nossos sentidos e do nosso corpo físico.

Enquanto existimos, convivemos e estamos o tempo todo trocando energia com outras pessoas, com os ambientes que frequentamos, com a natureza. Recebemos a energia de tudo com o que entramos em contato e devolvemos essa energia de alguma forma, através do que somos. E somos o que fazemos, o que dizemos, o que sentimos e o que pensamos.

Daí surge a necessidade de que, antes de caminhar rumo à meta do Yoga, que é o estado de iluminação exaltado pelo samadhi, façamos um bom estágio na fase preliminar. Quando exercitamos a ética da Yoga, através dos yamas, controlamos amorosamente a nossa forma de estar no mundo e cuidamos da energia que emanamos.

Ghandi dizia que as mudanças que queremos no mundo, devem começar com a gente. Alterar a nossa forma de conviver, de nos relacionar, é uma boa forma de iniciar essas mudanças.

Na próxima semana, falaremos sobre cada um dos Yamas.

Com amor,

Marília Lopes

CASADA E FELIZ, POR QUE NÃO?

 

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Sou casada há 21 anos. O “status” casada não faz de mim uma mulher submissa, frustrada ou infeliz. Muito pelo contrário.

Não fui criada para ser princesa. Não brinquei só de boneca ou de casinha na minha infância. Convivi com três irmãos que, apesar de mais novos, me ensinaram muito sobre o universo masculino. Vivia brincando na rua de pé no chão e usava cabelo joãozinho – com sete filhos, praticidade era a palavra de ordem da minha casa.

Eu fui criada para ser uma pessoa digna, pra respeitar o próximo, não fazer pro outro o que não quero que façam pra mim, para correr atrás dos meus sonhos, pra resolver meus problemas sozinha,  dar conta de mim. Sempre fui estimulada a ser independente. O ambiente em que cresci somado à minha personalidade fez de mim a mulher que eu sou.

Comecei a trabalhar quando tinha 13 anos para ajudar nas despesas da minha família, que eram enormes. Nunca fiquei sentada esperando a sorte chegar. Corri atrás do que eu queria desde muito cedo.

E o fato de ser uma mulher forte, autoresponsável, proativa não me impediu de casar e ser feliz assim, dividindo a minha vida com alguém.

Não vivo para limpar a casa, lavar pratos ou dedicar 100% do meu tempo aos meus filhos. Mas adoro cozinhar e ter minha família reunida em volta da mesa. Gosto da minha casa limpa e não vejo nenhum problema e dar uma boa faxina quando necessário. Não faço isso sempre, tenho o privilégio de ter alguém pra me ajudar, mas sei fazer e não me sinto diminuída por isso.

Ser casada não define quem eu sou

Ser casada não faz de mim uma mulher chata, que vive em função do marido, não me faz esperar que ele a abra porta do carro ou puxe a cadeira, apesar de não ver nenhum problema nessas gentilezas.

Sei pregar botão e sei indicar costureiras incríveis. Sei fazer o melhor almoço de domingo e posso dividir a conta do restaurante impecável.

Aprendi  muito cedo a cuidar do espaço que ocupo. Sei cuidar de mim, da minha casa. Gosto de cuidar da minha família e de ser cuidada por eles.  Mas meu repertório não se resume a marido, filhos e casa. Sei falar de política, arte, filosofia, vinhos e viagens.

Nunca sonhei com anel ou vestido branco e não espero presentes do meu marido (na verdade já faz tempo que não espero nada de ninguém), mas não me importo nem um pouco em ser presenteada, lembrada, reconhecida e amada.

Não fui criada para casar. Fui criada para ser feliz. Mas, casei. E isso não faz de mim uma mulher que se encaixa no conceito “bela, recatada e do lar”. Considero cruel esse estigma, criado pela indústria de entretenimento, que faz das mulheres casadas vilãs, chatas e frustradas e das solteiras e das amantes as mocinhas descoladas e gente boa.

Vamos combinar que cuidar ou não da casa, saber ou não cozinhar, sonhar ou não com o casamento dos contos de fada é completamente indiferente quando se trata de amor. Isso tem muito mais a ver com grana. A independência que isso tudo representa é a financeira, não a afetiva.

Essa conversa sobre como a mulher DEVE SER tornou-se muito cansativa.

Essa classificação de mulheres: casada, solteira, feminina, feminista está muito chata. O que importa se sou casada, solteira, se gosto de homens ou de mulheres, se me intitulo feminista ou não?

Vamos olhar além disso tudo, vamos pensar fora da caixinha, vamos abrir mão dos rótulos?

Sou mulher. Faço minhas escolhas e respondo por elas. Ponto final.

E você, é feliz com as escolhas que fez?

Com amor,

Marília Lopes

VAMOS FALAR DE YOGA?

 

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Quando se fala em Yoga, geralmente pensamos em alguém de ponta-cabeça, com o corpo torcido ou em alguma posição estranha. Essa é a visão ocidental de uma ciência nascida na Índia há mais de cinco mil anos.

Essas posições corporais são os asanas, palavra sânscrita que significa posturas. O asana é apenas uma parte da Yoga e a mais conhecida aqui no ocidente. Mas a Yoga abrange muito mais que movimentos físicos.   É um caminho óctuplo para integração de corpo, mente e espírito, para o qual todas as suas partes são muito importantes.

Patanjali, filósofo indiano que viveu provavelmente no século VI a.c., descreveu cada um dos oito passos da Yoga em sua obra Yoga-Sutras, considerada o texto mais antigo sobre o assunto.

Sutra, em sânscrito, significa linha, corrente que segura coisas. Yoga-Sutras seria como um varal contendo frases, aforismos sobre Yoga.

OS OITO PASSOS  DA YOGA, segundo Patanjali

Yamas – representa as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual

Nyamas – disciplina interna, autocontrole

Asanas – posturas

Pranayamas – controle da respiração

Pratyahara – abstração dos sentidos

Dharana – concentração focada em uma única direção, elevado grau de inibição sensorial e desaceleração do pensamento

Dhyana – meditação, continuação de dharana

Samadhi – integração, êxtase, libertação por meio da completa transmutação da consciência. Sensação de fusão com o Universo e com o Absoluto

 

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O objetivo maior da Yoga é a cessação das ondas mentais. É permitir que o praticante entre em estado de meditação e alcance a integração, samadhi. Para isso é necessária a observação de todas as etapas descritas pelo filósofo.

Um professor muito querido, José Antônio Fila,  dizia que Yoga é uma forma de estar no mundo e vai muito além do que fazemos no tapetinho.

O SEGREDO DA SABEDORIA

Uma historinha que o professor Marcos Rojo conta em suas aulas representa muito bem esta forma de estar feliz no mundo, que a Yoga preconiza:

Era uma vez um jovem que vai até o palácio de um Marajá (que naquela época era apenas um sábio) e pergunta a ele qual é a fórmula da sabedoria, como é que se deve vier para que se adquira sabedoria.

O Marajá, ao invés de responder, propõe um desafio ao jovem: “Vou encher uma colher de azeite e você vai percorrer todos os cantos deste palácio sem derramar uma gota de azeite sequer”.

O Jovem sai com a colher na mão, andando com passos pequenos, olhando fixamente para a colher e segurando com tanta força que ficou cansado. Ao voltar, orgulhoso de ter conseguido, mostra a colher para o Marajá, que pergunta se ele viu os belíssimos quadros que estão nas paredes do palácio, se ele viu os jardins e as piscinas maravilhosas que estavam pelo caminho. Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não, e o Marajá disse: “Dessa forma, você nunca encontrará sabedoria. Vivendo só para cumprir suas obrigações, sem usufruir as maravilhas do mundo, você nunca será um sábio.”

Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas que dessa vez observasse tudo pelo caminho. E lá vai o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esquece a colher e passa a observar os quadros, os jardins, os pássaros, etc.

Ao voltar, o Marajá pergunta se ele viu tudo e o jovem extasiado diz que sim. O Marajá pede que ele mostre a colher e percebem que todo o conteúdo foi derramado pelo caminho.

Então o Marajá diz: “O segredo para encontrar a sabedoria é descobrir uma forma de cumprir suas obrigações sem perder a alegria de viver, a capacidade de se encantar com o que a vida te oferece”.

Isso é Yoga. O exercício concentrado dos valores, das atitudes. Yoga é presença, é consciência. É a alegria de desfrutar do nosso corpo, da nossa mente, de tudo que nos é oferecido pela vida.

A cada semana, trarei pra vocês um pouquinho dessa ciência, dessa filosofia, dessa forma de viver.

Com muito amor,

Marília Lopes

VIVENDO COM ARTRITE REUMATOIDE

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Faz 19 anos que vivo com artrite reumatoide. E vivo muito bem, obrigada. Uma crise aqui, outra acolá e a vida segue, até porque a vida é muito mais que isso.

Em 1997, quando eu tinha 25 anos e acabava de dar à luz meu segundo filho, recebi o diagnóstico de artrite reumatoide. Doença crônica, autoimune, sem cura, ataca articulações, causa deformidades, limita movimentos, compromete fígado, pulmão, olhos.  Algo bem assustador em qualquer época da vida, mas quando você tem 25 anos, uma filha de dois anos e um bebê recém-nascido, é apavorante.

Senti medo, revolta, perguntei por que comigo, deprimi, resisti, sofri. Foi uma fase difícil. Uma fase longa e difícil que passou, como tudo passa.  Você já ouviu dizer que a dor é inevitável e o sofrimento é opcional? Posso afirmar que é assim mesmo. Optei por não sofrer, por não deixar que a doença se tornasse o centro do meu universo.

O sofrimento se foi e a dor ficou, é minha companheira há 19 anos e fui aprendendo a lidar com ela.Ela passa algum tempo sem dar a caras e de repente chega chegando. Aí a gente conversa, tenta se entender. Eu pergunto o que ela veio me trazer, ela  às vezes responde aos gritos, às vezes com sussurros ou simplesmente se cala. Eu a observo, sinto como ela quer ser tratada, peço ajuda quando não dou conta de hospedá-la sozinha. A gente vai convivendo, até que ela se vai, sem data marcada para voltar.

A dor acabou se tornando uma mestra, uma guia. Foi ela quem me conduziu ao caminho do autoconhecimento, foi ela quem me estimulou a me olhar, ir mais fundo, conhecer os padrões, as crenças e os condicionamentos que orientam meus pensamentos, minha forma de viver, minhas escolhas.

O cuidado que tenho com o meu corpo também devo a ela. Vivo em movimento. Não permito que a rigidez e a fadiga, que em conjunto com a dor formam o tripé da artrite, me paralisem. A atividade física é fundamental para me manter estável, equilibrada e forte. Preciso de força muscular para amparar as articulações debilitadas.

Tomo medicação sistematicamente desde que fui diagnosticada. Pra contrabalancear, cuido com carinho da minha alimentação.  A dobradinha atividade física+alimentação equilibrada é vital pra manter meu corpo bem.

Como tive a felicidade de encontrar bons médicos e iniciar o tratamento logo que a doença foi diagnosticada, tenho poucas lesões articulares e praticamente nenhuma limitação.

E tão importante quanto cuidar do corpo físico, aprendi nesses anos que é preciso cuidar do corpo mental, emocional e espiritual. Somos um ser integral e, geralmente, o físico serve para sinalizar o que não vai bem em outros níveis. Daí a importância de se conhecer, de se observar, de ir além do analgésico, que pode apenas estar afastando de você um mensageiro valioso.

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As pausas necessárias

Nas crises, como a que vivo no momento, sinto dor, acentuam-se rigidez e fadiga. Nessas fases, faço adaptações, deixo as atividades de impacto fora da minha rotina,  diminuo o ritmo, entro em “stand by”.

Como a natureza, que alterna  ciclos de expansão e de contração, nós também temos nossos períodos de introspecção e de extroversão, de aceleração e repouso. A artrite me ensinou a respeitar essa necessidade que tenho de me recolher, de dar pausas, de descansar. Até ela aparecer, nada me segurava, vivia numa ansiedade sem fim, pensando o tempo todo no que precisava fazer depois.

A calma e a tranquilidade que encontrei, a serenidade com que tento encarar a vida, a habilidade que desenvolvi de respirar e relaxar mesmo quando o mundo ao meu redor parece desmoronar, foi conquistada num longo processo que teve início com a minha indignação em ser portadora dessa doença.

Infelizmente eu precisei da artrite reumatoide, um gatilho doloroso para aprender a viver um momento de cada vez,  mas nem todos precisam.

Se você se percebe ansiosa, preocupada, pensando demais, cansada, acelerada, PARE. Olhe com amor pra você, desacelere, se dê momentos de silêncio, fique sem fazer nada, entre em contato com a natureza, respire. A pausa é fundamental para a nossa saúde física, mental e emocional.

Se você quer entender melhor o que é a artrite reumatoide, clique aqui.

Com amor,

Marília Lopes

 

 

VOCÊ SABE O QUE É ARTRITE REUMATOIDE?

 

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Na artrite reumatoide (AR), o sistema imunológico, responsável por proteger o nosso organismo de vírus e bactérias, também ataca os tecidos do próprio corpo –especificamente a membrana sinovial, uma película fina que reveste as articulações.

O resultado desse ataque é a inflamação das articulações e consequente dor, inchaço e vermelhidão, principalmente nas mãos e nos pés. É importante lembrar que, por ser sistêmica, ela pode ocorrer em outras articulações, tais como joelhos, tornozelos, ombros e cotovelos, além de outras partes do organismo (pulmão, olhos, coluna cervical). Em outras palavras, embora a principal característica da AR seja a inflamação das articulações, várias regiões do corpo também podem ser comprometidas.

Se não for tratada adequadamente, a inflamação persistente das articulações pode levar ao comprometimento das juntas, provocando deformidades e limitações nas atividades do dia a dia.

O que causa artrite reumatoide?

Apesar dos avanços nas pesquisas, a causa da AR ainda é desconhecida. Porém, a maioria dos cientistas concorda que a combinação de fatores genéticos e ambientais é a principal responsável.

Foram identificados marcadores genéticos que provocam uma probabilidade dez vezes maior de manifestar a doença. Entretanto, há quem possua esses genes e não desenvolva a artrite reumatoide, assim como nem todas as pessoas com a doença têm esses genes.

Pesquisas sugerem que agentes infecciosos, como vírus ou bactérias, podem provocar a doença em quem tem propensão genética para desenvolvê-la. Além da resposta do organismo a eventos estressantes, como trauma físico ou emocional, outra possibilidade são os hormônios femininos, uma vez que a incidência é maior nas mulheres.

Evolução da doença

A artrite reumatoide pode provocar alterações em todas as estruturas das articulações, como ossos, cartilagens, cápsula articular, tendões, ligamentos e músculos responsáveis pelo movimento articular, além de complicações em outros órgãos e sistemas do corpo.

Porém, não é possível prever como será a progressão da artrite reumatoide, pois ela varia de acordo com cada caso, apresentando padrões de evolução distintos. Em um grande número de pacientes, poderão ocorrer lesões ósseas e articulares irreversíveis, perda da qualidade de vida e aumento da mortalidade quando a doença não é tratada adequadamente.

Na trajetória da artrite reumatoide, as lesões ósseas se manifestam cedo: a diminuição do espaço articular e as erosões ocorrem em 67% a 76% dos pacientes nos dois primeiros anos de evolução da doença.

Diagnóstico

O curso da artrite reumatoide varia entre os pacientes, mas os períodos de crises e remissões são típicos da doença. A inflamação dos tecidos indica que a AR está ativa, ao passo que a sua diminuição caracteriza a remissão, podendo ficar inativa – de forma espontânea ou pelo tratamento – durante semanas, meses ou até anos.

Segundo o Ministério da Saúde brasileiro, o diagnóstico da artrite reumatóide depende da associação de uma série de sintomas e sinais característicos, além da realização de exames laboratoriais e por imagens que ajudam a confirmar a doença e fazer o monitoramento nos pacientes.

O reumatologista é o especialista indicado para avaliar e estabelecer o melhor plano de tratamento para cada caso. Já os profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional ajudam o paciente a continuar a exercer as atividades diárias. Além disso, grupos de apoio podem auxiliá-lo a conviver com a doença e a enfrentar as suas limitações.

Fonte:  artritereumatoide.com.br

Quer mais informações?  Neste link tem uma cartilha elaborada pela Sociedade Brasileira de Reumatologia: 

http://www.reumatologia.com.br/PDFs/Cartilha_artriteReumatoide.pdf

 

ANTEPASTO DE BERINJELA SUPER FÁCIL

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Estou preparando meu famoso antepasto de berinjela, pra receber uns amigos muito queridos no final de semana, e resolvi compartilhar a receita com vocês.

Essa receita é um sucesso e muuuuito fácil de fazer. Nas reuniões da minha família, a berinjela da tia Ma já é tradição.

É uma ótima opção de entrada, acompanha bem qualquer pão ou salada.

Anote aí os ingredientes:

  • 4 berinjelas grandes
  • 1 pimentão vermelho
  • 1 pimentão amarelo
  • 150 gramas de azeitona preta
  • 100 gramas de uva passas
  • 2 cebolas (usei a roxa só porque já tinha em casa)
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • molho de pimenta a gosto
  • orégano a gosto
  • 1 1/2 xícara (chá) de azeite (na receita original, era um copo de óleo e 1/2 de azeite, eu prefiro usar só o azeite. Outra opção é usar o azeite composto)
  • 3/4 xícara (chá) de vinagre de vinho tinto

Corte todos os ingredientes e coloque em uma assadeira grande, junto com temperos. Fica lindo, cheio de cores.

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Cubra com papel alumínio e leve ao forno médio por 1 hora.

Retire o papel alumínio, mexa e mantenha no forno por mais uma hora, na mesma temperatura.

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Aí é só esperar esfriar, morrer com o cheiro que invade a casa inteira e se deliciar.

E o melhor de tudo é que a berinjela traz muitos benefícios pra nossa saúde. Confirmei todos eles com o nutricionista Allan Silvério (Programas Allanutri). Confira:

Principais nutrientes da berinjela

Rica em antioxidantes: a berinjela apresenta uma boa atividade antioxidante pela presença do ácido clorogênico, cafeíco e flavonóides que atuam combatendo o envelhecimento celular e protegendo a oxidação das gorduras nas membranas celulares.

Benefícios para o coração: devido à presença de fibras solúveis e antioxidantes, existe um controle do colesterol e consequentemente uma melhora do fluxo sanguíneo, prevenindo também o estresse oxidativo.

Perda de peso: 1 xícara de berinjela apresenta em torno de 8% de fibra dietética, sendo uma excelente fonte de fibras, o que por sua vez auxilia na perda de peso e redução do colesterol. Além disso, esse fruto tem a vantagem de conter poucas calorias.

Rica em vitaminas do complexo B: a berinjela é rica em vitaminas B1, B2 e B6 que são essenciais para o funcionamento adequado do sistema nervoso central, para produção de energia, equilíbrio hormonal e função hepática.

Fonte de cálcio, magnésio e potássio: esses minerais são essenciais para o adequado funcionamento do organismo atuando na construção, manutenção dos ossos e melhora da contração muscular.

Pele saudável: a vitamina C, presente na berinjela, é um dos nutrientes que ajudam a manter a pele saudável, macia e hidratada, tendo também função antioxidante. Há outros antioxidantes na berinjela, como a antocianina. Todos eles ajudam a combater o excesso dos radicais livres no organismo, que podem causar envelhecimento precoce e rugas.

Prevenção de diversos tipos de cânceres: a casca da berinjela apresenta um potente antioxidante chamado Nasunin, que atua no organismo estimulando a formação de novos vasos e a melhora do suprimento sanguíneo, o que por sua vez contribui para prevenção de diversos tipos de cânceres.

Segundo Allan, as fibras contidas na berinjela, assim como outras fibras, são ativadas através da ingestão de água durante o dia. Para adultos um padrão de 2 litros, ok?

Espero que gostem!

Com amor,

Marília Lopes

 

 

 

EU VEJO VOCÊ

Tibet's exiled spiritual leader the Dalai Lama greets the audience as he arrives at a talk titled "Beyond Religion: Ethics, Values and Wellbeing" in Boston, Massachusetts October 14, 2012. REUTERS/Jessica Rinaldi (UNITED STATES - Tags: RELIGION SOCIETY) - RTR3956W

Conta-se que certa vez perguntaram a sua santidade o Dalai-Lama como ele conseguia se comunicar da mesma forma com interlocutores de diferentes posições sociais. E ele respondeu: quando estou diante de alguém, seja quem for, sempre penso que sou apenas um ser humano falando com outro ser humano.

Parece simples. Somos todos seres humanos, temos a mesma estrutura física, biológica, mental e emocional mas, apesar disso, nos sentimos tão diferentes. Às vezes melhores, às vezes piores, mas raramente iguais.

Se, como o Dalai-Lama, nós pudéssemos olhar com o coração, sentiríamos essa igualdade, mas fomos treinados a olhar o mundo com a mente. E a mente julga o tempo todo, critica, classifica. É o nosso modo automático de viver.

Enxergamos o status social, a orientação sexual, a opção religiosa, a cor da pele, a ideologia política, o estilo do cabelo ou da roupa. Paramos nosso olhar na superfície do outro, na sua imagem.

Se damos ênfase a características específicas de cada um, ficamos congelados nas diferenças, mas se conseguimos ir além, fatalmente nos encontramos com a humanidade de cada ser. Nos reconhecemos no outro.

Afinal, nós compartilhamos muito mais que o mesmo planeta, nós dividimos as mesmas emoções, os mesmos desejos e, quiçá, as mesmas histórias. Na essência, SOMOS TODOS IGUAIS.

E eu acredito que se dedicar a enxergar o que nos assemelha é o melhor caminho para estabelecer diálogos, resolver conflitos e construir relações mais saudáveis.

Quem assistiu o filme Avatar lembra que os Na’vi, povo nativo de Pandora, ao invés de dizer “eu te amo” dizia “eu vejo você”. Ver o outro é reconhecê-lo como semelhante, é ir além da superfície, é mergulhar no SER. É amar.

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Quando reconhecemos o outro como igual, quando lembramos que TODOS NÓS somos movidos por emoções, memórias, crenças e padrões, fica mais fácil entender e respeitar as singularidades de cada um. Reconhecer o outro é lhe dar o direito de ser diferente.

Eu vejo você. Eu vejo tudo que há em comum entre nós. Eu vejo nossas diferenças. Eu vejo o que te move. Eu vejo a sua dor. Eu vejo o seus potenciais. Eu vejo você e aceito tudo o que eu vejo, mesmo aquilo que não me agrada, mesmo aquilo que não encaixa nos meus padrões. EU VEJO VOCÊ! 

Em tempos de tantas manifestações de ódio e intolerância, sugiro que essa frase torne-se nosso mantra. Vamos repeti-la sempre que surgir pensamentos que julgam, que criticam, que classificam e que pré conceituam o outro.

Vamos, como o Dalai-Lama, VER O SER HUMANO que existe em cada um. Não só naqueles que a gente ama, admira, mas, principalmente, naqueles que despertam em nós os piores sentimentos. Vamos nos lembrar que as motivações do outro nascem no mesmo lugar em que nascem as nossas motivações.

Sinta essa frase. Repita quantas vezes for necessário. Olhe pra qualquer pessoa e repita, mesmo que internamente, EU VEJO VOCÊ. Viva o poder que existe nessas palavras.

EU VEJO VOCÊ! EU VEJO VOCÊ! EU VEJO VOCÊ!

Com amor,

Marilia Lopes

 

 

*Imagens Google

PARA CAROLINA

 

Uma carta de intenções, uma forma de enviar para o Universo aquilo que desejo para minha filha que hoje faz 21 anos. Estas são, também, as minhas aspirações para todos os seres. 

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A cada aniversário seu, comemoro mais um ano como mãe.

Com você nasceu a melhor parte de mim.

Há 21 anos, quando te vi pela primeira vez, me surpreendi com a sutileza do que eu sentia. Esperava uma emoção gigantesca, o amor transbordando em mim. Não foi assim.

Nosso amor chegou de mansinho, não num rompante. Não foi amor à primeira vista.

Enquanto te carreguei dentro de mim, sentia uma doce responsabilidade pelo ser que chegava neste mundo através do meu corpo, mas ainda não era o amor que eu esperava.

Amor chegou no dia-a-dia, no toque, no olhar, no leite.

Amor chegou e cresceu, cresceu junto com você e continuou crescendo quando você já não mais crescia.

Amei o bebê, amei a criança, amei a menina e a moça, amo a mulher que você se tornou e amarei o que você vier a ser.

Toda a sua história vive na minha memória. Aqui, dentro de mim, estão todas as Carolinas que você já foi.

Hoje, pensei em muitas de formas de celebrar esses 21 anos à distância. Cismei de te dedicar palavras  acreditando no imenso poder que nelas existem e esperando que cada uma encontre abrigo em ti e se torne realidade.

Vou  usar as letras pra desenhar meus desejos, minhas intenções e minhas bênçãos para você:

Quero que conheça o AMOR de todas as formas. Amor por você, amor pelo próximo, amor pelo Divino e por todas as suas criaturas. Que você dê e receba amor sempre;

que tenha CONSCIÊNCIA de que é potencialidade pura e que tudo é possível a partir da sua vontade;

que experimente a CONEXÃO com a sua essência luminosa, com a presença divina que há em você e com a energia amorosa de seus mestres e guias espirituais, que se sinta protegida, segura e amada;

que a GRATIDÃO e CONTENTAMENTO façam parte de ti. Seja grata pelo que é, pelo que tem, por tudo que vem ou vai e saiba que nada é por acaso e há um propósito para tudo;

que viva a ALEGRIA, que é o alimento da alma.  Divirta-se, celebre, dance, brinque, encontre a criança que há em você e cuide sempre dela. Saiba rir de si mesma, saiba rir da vida e para a vida;

que faça SILÊNCIO, ouça seu coração, só ele sabe o que é bom pra você. Dê pausas. Respire. Se observe. Medite.

que você viva sem EXPECTATIVAS e sem CERTEZAS, elas abortam as surpresas da vida, nos  forçam a ver o mundo através do que já existe na memória, impedem novos olhares ;

que você sinta a energia de DEUS em tudo o que há e que aprenda com a mãe natureza a SER:

ser RIO e fluir, movimentar-se, transformar-se, não se apegar às formas.  Lembre-se que a mudança é a própria vida;

ser TERRA, terreno fértil a nutrir  ideias, sentimentos, relações. Amorosamente, acolha o novo,nutra  o que deve permanecer e aceite as mortes necessárias;

ser FLOR e oferecer ao mundo o que há de melhor em você. Aprenda com elas a não possuir, não acumular: nem coisas, nem conhecimento, nem experiências, nem dores, nem pessoas. Distribua seu talento, seu amor, seus dons;

ser ÁRVORE e respeitar suas raízes: olhe pra traz e seja grata ao que veio antes de ti, honre a sua historia, a sua família, os seus antepassados. Cresça em direção ao alto, de onde emana o poder divino que te sustenta. Permita-se ser alento aos que precisarem da sua sombra e dos seus frutos;

ser FOGO que ilumina, que aquece e que transmuta. Que você seja fonte de luz, sabedoria, calor humano. Que saiba transformar as adversidades em aprendizagens.

Por fim, quero que você se ame completamente e incondicionalmente, que viva no AQUI e no AGORA ciente das infinitas possibilidades que existem em você e que seja feliz como escolher ser.

E assim É!

Lá do fundo do meu coração,

Marília Lopes, mãe da Carolina