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Sou casada há 21 anos. O “status” casada não faz de mim uma mulher submissa, frustrada ou infeliz. Muito pelo contrário.

Não fui criada para ser princesa. Não brinquei só de boneca ou de casinha na minha infância. Convivi com três irmãos que, apesar de mais novos, me ensinaram muito sobre o universo masculino. Vivia brincando na rua de pé no chão e usava cabelo joãozinho – com sete filhos, praticidade era a palavra de ordem da minha casa.

Eu fui criada para ser uma pessoa digna, pra respeitar o próximo, não fazer pro outro o que não quero que façam pra mim, para correr atrás dos meus sonhos, pra resolver meus problemas sozinha,  dar conta de mim. Sempre fui estimulada a ser independente. O ambiente em que cresci somado à minha personalidade fez de mim a mulher que eu sou.

Comecei a trabalhar quando tinha 13 anos para ajudar nas despesas da minha família, que eram enormes. Nunca fiquei sentada esperando a sorte chegar. Corri atrás do que eu queria desde muito cedo.

E o fato de ser uma mulher forte, autoresponsável, proativa não me impediu de casar e ser feliz assim, dividindo a minha vida com alguém.

Não vivo para limpar a casa, lavar pratos ou dedicar 100% do meu tempo aos meus filhos. Mas adoro cozinhar e ter minha família reunida em volta da mesa. Gosto da minha casa limpa e não vejo nenhum problema e dar uma boa faxina quando necessário. Não faço isso sempre, tenho o privilégio de ter alguém pra me ajudar, mas sei fazer e não me sinto diminuída por isso.

Ser casada não define quem eu sou

Ser casada não faz de mim uma mulher chata, que vive em função do marido, não me faz esperar que ele a abra porta do carro ou puxe a cadeira, apesar de não ver nenhum problema nessas gentilezas.

Sei pregar botão e sei indicar costureiras incríveis. Sei fazer o melhor almoço de domingo e posso dividir a conta do restaurante impecável.

Aprendi  muito cedo a cuidar do espaço que ocupo. Sei cuidar de mim, da minha casa. Gosto de cuidar da minha família e de ser cuidada por eles.  Mas meu repertório não se resume a marido, filhos e casa. Sei falar de política, arte, filosofia, vinhos e viagens.

Nunca sonhei com anel ou vestido branco e não espero presentes do meu marido (na verdade já faz tempo que não espero nada de ninguém), mas não me importo nem um pouco em ser presenteada, lembrada, reconhecida e amada.

Não fui criada para casar. Fui criada para ser feliz. Mas, casei. E isso não faz de mim uma mulher que se encaixa no conceito “bela, recatada e do lar”. Considero cruel esse estigma, criado pela indústria de entretenimento, que faz das mulheres casadas vilãs, chatas e frustradas e das solteiras e das amantes as mocinhas descoladas e gente boa.

Vamos combinar que cuidar ou não da casa, saber ou não cozinhar, sonhar ou não com o casamento dos contos de fada é completamente indiferente quando se trata de amor. Isso tem muito mais a ver com grana. A independência que isso tudo representa é a financeira, não a afetiva.

Essa conversa sobre como a mulher DEVE SER tornou-se muito cansativa.

Essa classificação de mulheres: casada, solteira, feminina, feminista está muito chata. O que importa se sou casada, solteira, se gosto de homens ou de mulheres, se me intitulo feminista ou não?

Vamos olhar além disso tudo, vamos pensar fora da caixinha, vamos abrir mão dos rótulos?

Sou mulher. Faço minhas escolhas e respondo por elas. Ponto final.

E você, é feliz com as escolhas que fez?

Com amor,

Marília Lopes

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